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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
NÃO DÁ PARA NÃO POSTAR!!!
Em 29 de novembro deste ano, no post ” Lula subestima a mídia”, escrevi o seguinte:
“Penso que Lula – e só ele – deveria reagir. Neste momento, ele deveria mandar um recado claro à sociedade de que tem gente torcendo pela crise e de que os avisos da mídia para que as pessoas parem de consumir poderão prejudicar o país.”
Naquele momento, já estava a todo vapor uma campanha da mídia para pôr o Brasil em recessão junto com o resto do mundo ao estimular as pessoas a fazerem o contrário do que economistas e países do mundo inteiro estão pregando, que os povos deste planeta consumam, comprem, para evitar uma depressão mundial. E via-se, na mesma mídia, uma tentativa de responsabilizar o presidente da República pela catástrofe em Santa Catarina.
Ontem, o presidente finalmente fez o que eu vinha pregando faz tempo: usou sua prerrogativa de convocar rede nacional de rádio e tevê para dizer exatamente o oposto do que diz a mídia, ou seja, que não entraremos em recessão, que cresceremos 4% (pelo menos) no ano que vem, e não se limitou a afirmar que somos talvez o país que melhor resistirá à crise e a mostrar os excelentes números da economia: pediu às pessoas que não parem de consumir “com responsabilidade”, pois, se não consumirem, elas mesmas ajudarão o país a entrar em recessão.
A liderança indiscutível de Lula, sua agenda estonteantemente cheia, seu protagonismo como líder da nação ao tranqüilizar a sociedade e ao propor caminhos e medidas corajosas (governo federal já investiu mais de 300 bilhões de reais) contra a crise é o que está fazendo a sociedade, sentindo-se amparada pelo presidente, por larga maioria recusar-se a parar de consumir, lotando ruas de comércio e shoppings, esgotando desde os produtos mais baratos até os mais caros.
Foi oportuno, eu diria mesmo que foi providencial o pronunciamento de Lula. A campanha da mídia contra o que dez entre dez economistas pregam, que as pessoas não parem de consumir, está, como eu já disse, a todo vapor. As tevês e jornais não param de noticiar desgraças e previsões pessimistas, e escolhendo estatísticas que lhes interessam, as que desanimam e assustam as pessoas.
Não foi por outra razão que o Jornal da Globo não noticiou o pronunciamento do chefe da nação ou que a Folha de São Paulo tenha dado manchete só para os números do Caged sobre o desemprego, números que levaram em conta só o emprego formal e que mostraram criação menor de vagas em novembro, e escondido os números do Dieese, que mostraram o menor desemprego em uma década no Brasil.
A mídia se dedica o tempo inteiro até a tentar transformar a explosão do consumo de Natal neste fim de ano em notícia negativa. A colunista da Folha Eliane Cantanhêde, por exemplo, diz hoje em sua coluna que, apesar das cenas impressionantes das multidões que estão indo as compras, “as sacolas [de compras] estão mais vazias”. Realmente o método da jornalista para aferir o humor do consumidor é bem “científico”, vocês não acham?
Bem, mas tudo isso, esse comportamento absurdo da mídia, tem uma “razão” de ser: o consumo neste mês será primordial para determinar o crescimento da economia no quarto trimestre de 2008. Como a imprensa golpista vem privilegiando previsões de que esse crescimento cairá fortemente neste fim de ano, trabalha diuturnamente para assustar a população a fim de que ela não compre.
O que acontece, é o seguinte: se o quarto trimestre de 2008 não tiver recessão, ficará mais distante a ambição da oposição e da mídia de poderem proclamar, ao fim do primeiro trimestre do ano que entra, que o Brasil estará em recessão, caso esse primeiro trimestre também seja de queda do ritmo da economia.
O que se espera, no entanto, é que o presidente, tanto quanto a mídia, não pare de pregar sobre a crise, só que em sentido oposto, pois é no monumental mercado interno brasileiro que se encontra a salvação da lavoura nacional. O fato de este país ter pouco comércio exterior e muito mercado interno explica por que não entramos em crise como o resto do mundo.
Estamos numa encruzilhada. O que acontecer no Brasil neste momento determinará o que acontecerá por aqui no ano que vem. Contudo, o que as últimas pesquisas de opinião sobre a popularidade de Lula e sobre as expectativas da sociedade revelam é que os brasileiros estão dando um voto de confiança ao presidente da República, até por suas promessas terem sido cumpridas até aqui.
Contudo, Lula precisa entender que não pode parar de falar contra a crise um só minuto, pois a mídia não pára de falar a favor dela. Mas agora estou mais confiante em que o presidente sabe disso, que ele entende que precisa travar o debate político e sinalizar à sociedade como ela pode colaborar consigo mesma. Se o presidente se mantiver nesse rumo, o Brasil derrotará de novo os facínoras da imprensa golpista.
Escrito por Eduardo Guimarães do Blog Cidadania.com
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