De onde acessam?

Seguidores

segunda-feira, 16 de março de 2009

E A NOVELA DO PASSE LIVRE CONTINUA


16/03/2009 - 15:30:00

A Câmara Municipal se abriu para a discussão do transporte coletivo, em Cuiabá, e nesta manhã de segunda-feira, 16 de março, aconteceu audiência pública, comandada pelo vereador Domingos Sávio (PMDB), que reuniu representantes da Prefeitura, de diversas entidades da estudantada, do Procon, do Instituto de Defesa do Consumidor, da Associação dos Usuários do Transporte, os vereadores Ludio Cabral (PT) e Roosevelt Coelho (PSDB), sendo muito criticada a ausência dos donos das empresas de ônibus, que controlam a MTU e faturam em cima do sacrificio imposto, diariamente, à multidão de usuários.

O secretário de transporte, Edivá Alves, com 30 dias no cargo, foi elogiado porque teve a coragem de se expor e ouvir, cara a cara, as queixas de quem pena nos ônibus. Lúdio Cabral disse que Edivá demonstrava uma nova postura, se apresentando para o debate, enquanto os secretários anteriores fugiram do debate. Edivá garantiu que topa discutir com qualquer um e que só não admite agressão física pra cima da pessoa dele. No mais, podem reclamar, xingar, que ele terá sempre interesse em dialogar e ouvir todas as reclamações, porque esta é a sua responsabilidade.

Edivá começou, em sua explanação inicial, falando grosso, dizendo que uma divulgação recente feita na mídia sobre o transporte coletivo, traduziria "mentira" e "mau-caratismo", ao sugerir sumiço de passageiros nos cálculos feitos pela prefeitura e que a prefeitura adotara na planilha de custos, dados sobre óleo diesel que corresponderiam ao preço cobrado nas bombas dos postos de gasolina e não na compra no atacado. Garantiu que, também ao contrário do quem tem sido divulgado, com ele no comando da Secretaria, nenhum reajuste será feito na calada da noite ou durante feriados como o Carnaval. "Quem diz isto está fazendo terrorismo com a população, se comportamndo como um mau caráter".

Edivá, no entanto, teve que ouvir a réplica de Gibran Lachowiski que garantiu que quem pratica um mau caratismo institucional é a Prefeitura de Cuiabá que há anos calcula o preço da tarifa, em nossa capital, com base em dados superfaturados pelos empresários, conforme já comprovado por estudos desenvolvidos pelo Ministério Público Estadual e pela própria Câmara Municipal, através da CPI comandada pelo então vereador Walter Rabello.

Edivá também se envolveu em um bate boca com o representante da UNE, Pablo Pereira, que garantia que ele votou contra a aprovação do passe livre em Cuiabá. O secretário rebateu que a informação era incorreta e que não dava para discutir com base em informações incorretas. Pablo se mostrou disposto a provar que Edivá votou, efetivamente, contra o passe livre e desafiou o secretário a participar de um debate com os estudantes da UFMT no próximo dia 30.

Diversos estudantes acusaram a Prefeitura e o secretário Edivá de representarem muito mais o empresariado do que o povo, no encaminhamento das questões do transporte coletivo em Cuiabá. Edivá rebateu que isso era mentira, ele estava ali para defender a prefeitura, só que está obrigado a acatar as determinações legais. Para testar seu compromisso, estudantes como Estefane Emanuelle, da Juventude Revolução, reforçaram a tese de estatização do transporte na capital, com a criação de uma empresa municipal de transporte público - proposta levantada na plenária pelo estudante Lehu Vânio, do CLTP, Comitê de Luta pelo Transporte Público. Edivá garantiu que é uma proposta que pode ser estudada. Para Lehu, se Barack Obama, nos Estados Unidos, se dispõe a estatizar bancos e outras grandes empresas, por que é que Wilson Santos, em Cuiabá, não pode estatizar empresas que andam massacrando os seus usuários?

Para situar melhor a questão das mentiras e do mau caratismo, o titular desta Página do E também se manifestou na plenária, lembrando que, quando do lançamento do desconto na tarifa de água, o Prefeito Wilson Santos foi diretamente questionado por mim sobre a possibilidade de novo reajuste da passagem de ônibus e garantiu que iria respeitar a determinação judicial que, atendendo ao Ministério Público, suspendeu qualquer reajuste em Cuiabá, enquanto não se demonstrar que os dados para composição da planilha foram colhidos de forma transparente e devidamente demonstrados para a população. Wilson, naquela ocasião, também garantiu que não iria colocar a Prefeitura na briga judicial, dizendo "os empresários se quiserem que se mexam e defendam seus interesses na Justiça". Na plenária desta segunda, todavia, divulgou-se a informação de que a Prefeitura e o governo de Wilson Santos foram, sim, à Justiça, agravar a decisão do juiz que impediu o reajuste. Ou seja, nesta história toda, quem é que está mentindo? Quem é mau caráter? O debate sobre o transporte, é claro, não se resolveu nesta audiência, vai se desdobrar por muitos e muitos movimentos mais.

Nesta terça-feira, a partir das 15 horas, o forum de entidades que discute o transporte público se reúne no auditório do Sintep, no bairro Bandeirantes.

Pescado da Pagina do E

Nenhum comentário:

Quem somos nós

Quem somos nós
Um casal a beira de um ataque de nervos