De onde acessam?

Seguidores

terça-feira, 10 de março de 2009

HAY QUE ENDURECER, PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS

'Sou uma mulher dura cercada de homens meigos', diz Dilma


Ao falar sobre sua experiência no poder, candidata de Lula em 2010, condena preconceito contra mulheres.


Agencia Estado


BRASÍLIA - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reclamou, em tom de desabafo, dos preconceitos sofridos pelas mulheres em cargos de chefia. Candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sucessão em 2010, ela arrancou aplausos em seminário sobre mulheres ao defender maior participação feminina em órgãos públicos e empresas, e chegou a comentar sua experiência no poder. "Em condições de poder, a mulher deixa de ser vista como objeto frágil e isso é imperdoável", afirmou. "Aí começa a história da mulher dura. É verdade: eu sou uma mulher dura cercada de homens meigos".

Em discurso, a ministra disse que as mulheres que alcançam o poder não podem cometer os mesmo erros que às vezes os homens cometem. "Eles mandam e desmandam. E são suaves e meigos." Dilma avaliou que o problema do preconceito na vida pública é sofrido menos por mulheres que estão à frente de programas da área social, como saúde, meio ambiente e educação, funções que segundo ela sempre são consideradas pela sociedade como relevantes e estratégicas.

O preconceito é maior, na sua avaliação, no caso de mulheres que comandam outras áreas. "Nós também somos mulheres capazes de atuar em áreas restritas, até agora, a homens. Eu sempre estive em áreas restritas a homens. Eu fui secretária de Fazenda, secretária e ministra de Minas e Energia e, agora, chefe da Casa Civil. Sempre fui a primeira e tenho certeza de que não serei a última".

No discurso, a ministra afirmou que, daqui para frente, vai bater forte numa tecla que o presidente sempre bateu: a luta contra o preconceito. "O presidente sempre diz que não pode errar, pois fica difícil um outro trabalhador concorrer à Presidência. E nós, mulheres, também não podemos errar. É muito importante que tenhamos mulheres em áreas que só têm homem". A ministra citou a escritora francesa Simone de Beauvoir: "ela dizia que a gente não nasce mulher; a gente se torna mulher. É uma construção histórica e cultural. E, no Brasil, a mulher tem uma forma generosa, mas sobretudo responsável e ética. Eu não quero cair numa situação fácil de dizer que a mulher é mais sensível e terna".

Dilma disse que diariamente lida com problemas de preconceito e discriminação. Citou o caso da Petrobras, onde, segundo ela, só em 2007 foi nomeada a primeira diretora. A ministra ressaltou a importância de uma maior participação das mulheres na política. "Nós devemos participar de todo um processo de atuação política, sobretudo em conjunto, com as mulheres colocando a cabeça para fora para se eleger prefeitas, vereadoras, se tornar secretárias e governadoras." Fez ainda uma menção a uma colega de luta armada, Eleni Guariba, morta durante o regime militar, ao lembrar que a violência, naquela época, não discriminou homens e mulheres. "A violência que bateu em Pedro também bateu em Maria", comentou.


'Ditabranda'

Ela criticou ainda avaliações feitas por setores da imprensa que classificaram o regime militar como uma "ditabranda" - a ministra se referia a editorial publicado no dia 17 de fevereiro pela "Folha de S.Paulo", que citava a expressão. "Muitos ainda chamam a ditadura de ditabranda, numa inversão absurda de um processo de prisões, tortura e morte." Segundo ela, "é um absurdo dizer que um regime de exceção foi menos violento que outro." "Não interessa se são dez, cem ou mil que morreram. E no Brasil não morreu apenas um punhado de gente".

Nenhum comentário:

Quem somos nós

Quem somos nós
Um casal a beira de um ataque de nervos

NAVEGAR É PRECISO, VIVER NÃO É PRECISO