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Quem somos nós

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Um casal a beira de um ataque de nervos

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O PAÍS DO FUTURO...


Quando olho no espelho e vejo meus cabelos nevados. Quando toco minha face, deslizo a mão suavemente como se estivesse percorrendo um caminho cheio de lombadas. São rugas. São sinais da idade. Nem mais sorrir, eu posso. O tempo vai esculpindo verdades, qual navalha vai fazendo retoques e deixando cicatrizes que eram mostradas para meus filhos e amigos com orgulho, como se fossem amuletos. Neste corpo pouco se pode acrescentar, só cirurgicamente cortar as partes menos interessantes.

Nos primórdios da humanidade o processo de sobrevivência levou os animais desenvolverem a seleção natural. Os mais frágeis e debilitados eram eliminados para que não se tornassem um peso-morto para os demais membros do grupo. Assim, crianças débeis, velhos e inválidos sucumbiam inapelavelmente. Eram descartados.

Na atualidade foi repaginada essa concepção nos planos de saúde. Nenhum plano quer crianças débeis, velhos e inválidos. Podem entrar, mas, a voracidade com que lhe cai ás prestações aniquila o pouco que lhe resta de suas forças. A seleção natural do mercado quer captar os moços fortes, capazes e produtivos, pois na relação custo x benefício, representam menos perigo a economia e ao interesse que gere cada um dos planos comercializados do país.

A constituição Federal de 1988, no artigo 5°, estabelece um leque de garantias, entre as quais, a completa vedação da discriminação, de seletividade, enfim, de meios que elejam ou privilegiam grupos em detrimentos de parcelas que representam minorias. A insônia é assegurada na lei. Os planos de saúde de uma pessoa de sessenta anos sofrem uma majoração absurda que não resta alternativa que não seja se resignar a pagar, ou sair do plano. Há algumas décadas a longevidade estava em níveis bem menores, porém, a qualidade de vida e os avanços, sobretudo da medicina, proporcionaram um esticamento da expectativa de vida e o que seria um premio, agora se revela um castigo para os mais fragilizados – viver os seus últimos anos de vida na penúria e sem a cobertura de seu plano de saúde.

O ingresso de uma pessoa com sessenta anos é difícil, caro e inviável. Esquecem-se da contribuição passiva dessas pessoas ao longo de sua existência e, sobretudo, que com sessenta anos, se atendido corretamente poderá atingir a idade próxima a 80 ou mais anos de vida. O que não difere muito da expectativa de contribuição de algumas décadas atrás. Não há, portanto, significativas diferenças de custo para planos de saúde em relação à idade. Alem do que, vão ter de se ajustar rapidamente, pois cada década aumenta a longevidade, se reduz a taxa de natalidade, ou seja, daqui a pouco o filão do negócio saúde estará nessa faixa etária atualmente desprezada.

Antes de aderir aos planos de saúde, olhe as taxas que são cobradas dos mais velhos. O velho de hoje foi jovem e, não se esqueça que a cada ano se aproxima a oportunidade de estar lá. A sua omissão de hoje, será peso para quantificar e qualificar o serviço que terá no futuro.

1 comentários:

Anônimo disse...

"Há tempo para todas as coisas debaixo dos céus. Há tempo de sorrir e há tempo de chorar. Há tempo de viver e há tempo de morrer"

Grande abraço!!!

Diógenes