3027-5239

Seguidores

Quem somos nós

Quem somos nós
Um casal a beira de um ataque de nervos

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

CAOS NA SAÚDE: O Vietnã é bem aqui, nesta Grande Cuiabá, comandada por Wilson e Murilo

Vistoria do CRM no Pronto-Socorro de Várzea Grande constata superlotação e pacientes nos corredores



RENÊ DIÓZ
Da Reportagem


O Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande (PSMVG) está abarrotado com mais que o dobro do número de pacientes que seus leitos suportariam: com 146 vagas disponíveis, a unidade atendia ontem a pelo menos 300 pessoas, dispostas nos corredores, em macas ou em outros locais improvisados. A constatação é uma das mais graves feitas ontem pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) em vistoria no PSMVG, ao qual o diretor administrativo João Botelho se refere como um “Vietnã” desde o fechamento parcial do PS de Cuiabá (PSC) em outubro, para reformas.

Com as obras do PSC, pacientes de Cuiabá e do interior do Estado engrossaram e tornaram insustentável a demanda ao município vizinho, panorama previsto por Botelho. Cerca de 700 pessoas têm passado pela unidade diariamente e tanto a estrutura do local quanto os funcionários se esgotaram, o que só tende a agravar a crise vivida na Saúde da Grande Cuiabá.

Por isso, segundo o presidente do CRM Arlan Azevedo, a necessidade de se realizar nova fiscalização na unidade, que foi vistoriada pela última vez em 2008. Ontem, preliminarmente, o CRM já apontava uma série de irregularidades que davam conta da impossibilidade de o hospital continuar recebendo tantos casos graves.

A primeira situação verificada pelo CRM foi a de quatro pessoas que estavam dispostas em macas espalhadas no corredor do centro cirúrgico por não haver leitos onde eles possam repousar, visto que já passaram por cirurgias – um deles, inclusive, esperava por um leito havia três dias, desde quando foi baleado com cinco tiros.

Isso porque, para a pessoa ser atendida no centro cirúrgico, chega-se a calcular uma demora de quatro horas ou mais dependendo do tipo de procedimento, segundo o cirurgião pediatra Gaudêncio Faria, que está há 14 anos no PSMVG e, até hoje, não viu sequer uma ampliação na unidade - inaugurada em 1988. Ontem, apenas dois cirurgiões estavam disponíveis na unidade.

Devido ao fluxo precário de pacientes, outro problema preliminarmente verificado pelo CRM é que não dá para se desinfetar regularmente os ambientes, o que é básico para o funcionamento da unidade de saúde. Já em relação aos medicamentos, o superintendente do PSMVG, Gonçalo Xavier, informou ao CRM que em 14 dias foram esgotados os estoques de dois meses de noradrenalina (que atua na pressão arterial) e os de três meses de tylenol e dipirona (analgésicos).

RELATÓRIO - A esta carência, juntam-se também outras, como de equipamentos, materiais, higiene, iluminação, esterilização, climatização e adequação de macas, que também devem constar no relatório do CRM sobre a unidade.

O documento será produzido nos mesmos moldes do relatório sobre o PSC, concluso no final de setembro, e que apontava 350 pontos de irregularidades na unidade de Cuiabá (uma vistoria da VISA detectou 1.200 pontos).


Nem Hospital Universitário alivia o fluxo

Da Reportagem


Nem o encaminhamento de pacientes graves ao Hospital Geral Universitário (HGU), determinado por liminar judicial, aliviou a situação do PSMVG após o início das obras de reforma na unidade de Cuiabá, para onde os casos se dirigiam antes. O diretor administrativo, João Botelho, diz que o próprio caos na unidade atesta que a medida judicial não atenuou em nada a situação de Várzea Grande.

Botelho aponta como responsável pelo colapso a sobrecarga provocada pela gestão da Saúde de Cuiabá, que estaria “brincando de fazer Saúde” ao fechar o Pronto Socorro de Cuiabá (PSC) para reformas justo no momento em que os médicos empreendiam movimento paredista. “Vão perecer pessoas indevidamente porque não tem mais condições”, alertou.

Terminada a vistoria em Várzea Grande, o presidente do CRM, Arlan Azevedo, dirigiu-se ontem ao PSC para tentar encaminhar aos 16 leitos de traumatologia disponíveis os pacientes já operados e sem retaguarda no PSMVG. De acordo com a Saúde de Cuiabá, o encaminhamento não é possível, pois não há no PSC atualmente cirurgiões que possam acompanhar os casos. No PSMVG, onde também foi empreendido um movimento demissionário similar ao da Capital, os médicos decidiram por continuar em escala normal, obedecendo liminar que os obriga a tanto (mesmo tendo já cumprido avisos prévios). (RD)

Diário de Cuiabá

Pescado da Página do E

0 comentários: