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Um casal a beira de um ataque de nervos

quinta-feira, 10 de junho de 2010

UTOPIA & VIDA para o MATO GROSSO

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DE MATO GROSSO

O Partido dos Trabalhadores (as) nasceu a 10 de fevereiro de 1980 com prioridades bem definidas: investimento nas áreas sociais, no combate à corrupção, na participação popular, na ética na política, no combate à pobreza e na luta constante para instaurar a justiça neste país. Estes ideais coincidem com a identidade do Partido. O Preâmbulo do Código de Ética do Partido institui, “No Partido dos Trabalhadores ninguém poderá estar acima das exigências éticas e das decisões democraticamente aprovadas pelas instâncias partidárias”. No Art. 3º, destacamos o inciso IV – que exige “o respeito à moralidade administrativa, à coisa pública e a transparência na gestão dos recursos públicos de qualquer natureza”; o inciso V – “a supremacia dos interesses partidários sobre os interesses particulares, de tendências partidárias, de correntes ou grupos internos”; inciso VII – “a fidelidade aos princípios programáticos, à ética e às decisões partidárias, no exercício do mandato eletivo, de cargo ou função de confiança”; inciso XIV – “ a defesa e o respeito à imagem do Partido, de todos os seus filiados, dirigentes e portadores de mandato, ressalvado o direito de divergências de idéias e a liberdade de expressão de posições políticas”.


Considerando essas normas, repudiamos a atitude do Deputado Federal Carlos Abicalil, que decidiu assinar uma representação contra o juiz da 1ª Vara Federal, Julier Sebastião da Silva, e o procurador da República Mário Lúcio Avelar. Abicalil é parlamentar do Partido dos Trabalhadores e seu Presidente Regional; portanto, em hipótese alguma se justifica tomar uma atitude de tão graves conseqüências públicas sem consulta às instâncias do partido, em matéria que gera descrédito na defesa intransigente de apuração que era realizada. Deveria, no mínimo, convocar uma reunião extraordinária da Executiva Regional para uma decisão ampla em nível de Estado. Não foi somente o partido que ficou impactado, mas a sociedade e a imprensa, de que seu nome figurasse na respectiva representação. Este gesto feriu a cultura interna e identidade petista. Haverá limites para representantes maiores dentro das instituições, que sua atuação pública como pessoa, dificilmente, será desligada da imagem pública do Partido. Seu cargo máximo na direção regional, como presidente, deveria zelar acima de tudo, para preservar a imagem do Partido dos Trabalhadores, que constrói com dificuldades, dia a dia, ética e moralidade na política, e por isso mesmo, incentiva apurações em instâncias competentes, com o acompanhamento devido, via imprensa, da sociedade para que, informada, possa se manifestar. Isso, favorece o sustento da base, seus filiados e filiadas e a estrutura orgânica do Partido, que seus parlamentares devem representar. Sua conduta, sem consulta ampla à executiva do partido e às bases, em matéria polêmica; e seu nome apoiando a representação que viria cercear o rigor das investigações em curso, nas quais figuram várias pessoas de conhecimento público atuando sós ou em grupo contra interesses da transparência e democracia, está na contramão da história do Partido que prevê todas as prerrogativas para que a democracia se instaure, sem que quadros públicos falem isolados e em conflito com as pautas do partido, ação que contradiz o Código de Ética. Precisamos sempre defender o Partido em nome da ética e dos princípios e garantir em matérias desta natureza, a organicidade, a informação dialogada e a ação de parlamentares que mantenham uma lógica de fortalecer a coragem da justiça, e não o seu silenciamento e daqueles que atuando na justiça, se afinam com o ponto de vista popular do que é justo e injusto. O Deputado deveria ter se isentado, e até, em discordância, poderia explicitar publicamente suas restrições à forma e aos métodos empregados, mas não poderia obliterar o raro rigor com que a justiça tem promovido até o fim investigações que ninguém acreditava possível e que se julgava que “terminariam em pizza”. Deveria ficar isento em uma representação que poderá contribuir com interesses espúrios e novos privilégios de várias pessoas que figuram entre os relacionados na “FICHA SUJA” deste Estado. Abicalil é filiado ao PT Municipal e o coletivo do Partido.


Cobramos uma explicação para tal conduta e exigimos a retirada do seu nome do documento de representação e que se afaste daqueles que estão sendo processados por improbidade administrativa, prevaricação e utilização de prestígio e privilégios. As acusações precisam ser elucidadas, sim. Questões de justiça devem ser resolvidas na justiça e não no Partido e com o aval do Partido. A justificativa pública do deputado não convence a ninguém: é brincar com os cidadãos e cidadãs. O PT quer ser um aliado na promoção das investigações e um instrumento popular para fazer justiça. O PT nasceu lutando pela democracia, e, ao longo de sua história, foi ampliando e criando novos mecanismos de participação, tendo hoje o poder da Presidência da República nas mãos de um trabalhador. É neste PT que nós acreditamos e queremos resgatar sua credibilidade com a plena participação decisória e a corresponsabilidade das bases com os destinos deste mesmo Partido, na história do país.

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