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terça-feira, 27 de julho de 2010

QUANDO O ESPORTE DEIXA DE SER ESPORTE


Confesso que nunca fui aficcionado pelo automobilismo, por questões óbvias relacionadas ao poder aquisitivo exigido para esse desporto, mas, ontem, assistindo pela televisão a “vitória da Ferrari” tive a convicção de que não é um esporte. Não se trata de vencer o melhor, o mais estrategista, nem mesmo o melhor carro. Venceu a conveniência, a força dos contratos e o interesse financeiro. Acho que todo aquele que assistiu a transmissão deve ter-se sentido lesado. A situação lembra um atleta de futebol que frente ao gol, no último minuto, com o goleiro batido, “estranhamente” chuta para o lado.
Ontem, venceu o patrocínio que acompanhou a contratação do “espanhol”, esse mesmo que não sabia da armação que outra equipe fez para beneficiá-lo. A moral e a ética andam em baixa no automobilismo internacional. Decepcionado passei a ver a Fórmula Indy e, para “coroar o dia” mais uma vez “estranhamente” um piloto foi penalizado para beneficiar claramente o concorrente. O que poderia ser a redenção moral do automobilismo no dia acabou apenas corroborando que isso que se transmite como as duas categorias top são apenas uma espécie de autorama com os papéis já definidos previamente e com o script definido nos bastidores pelos diretores das marcas ou comissários de prova.
Acho que todos deveriam mandar mensagens a equipe “vermelha de vergonha” e ao banco que patrocina essa causa, afinal, ambos tem filiais no Brasil. Não se trata de querer beneficiar o piloto brasileiro, mas de mostrar que esse país tão acusado pela comunidade internacional que desmerecer a moral, tem valores que nossos acusadores são reticentes, quando lhes é conveniente.
POR MARCO ANTONIO VEIGA

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