
Sei que pode ser tema até recorrente.
Principalmente aqueles tão habitues dessas práticas não gostam que se discuta moral, civilidade, dignidade, é começar a falar e surge aquele “iii” de novo. São tantos “is” que alguns já procuraram legalizar o imoral.
O que o Supremo Tribunal Federal vai julgar a visão caolha das Assembléias Legislativas e governos estaduais que “bondosamente” se dispuseram a cumprir com tanta eficácia e efetividade jamais atingidas em outras áreas da atividade pública.
Há que se perguntar também onde andavam os representantes do Ministério Público na sua missão de defender a sociedade.
Acredito que essa vocação deriva do espírito monarquista que inconscientemente busca carrear para cada atividade a “aura” da vitaliciedade.
Basta ter sido para ter direito e não há necessidade de merecimento, de contribuição, de doação.
Quantas “viúvas”, quantas “famílias” os cofres públicos estão sangrando para pagar? Afinal, quais são as atividades públicas que pagam essas “graciosas” aposentadorias e pensões?
Quem são os beneficiários? Porque os políticos se calam e não condenam? Obviedade.
Amanhã ou depois eles podem ser beneficiados.
A desfaçatez é tanta que várias dessas “figurinhas” se arvoraram nas últimas eleições como estandarte da moralidade, da transparência e da lisura.
Mas, a natureza é sábia e com o primeiro sopro do vento a “peruca” cai.
Espero, se não for sonhar demais, que os deputados e senadores tenham a ousadia de propor leis que sejam explícitas dizendo que aposentadoria será proporcional à contribuição e que o ocupante de cargo público, em qualquer esfera, deve pedir a suspensão de pagamentos enquanto estiver na função, evitando a duplicidade de vencimentos.
A atividade pública deve ser exclusiva, inclusive, na remuneração.
Se a Autoridade recebe algum benefício originado dos cofres públicos, deve ser único.

Não importa de que esfera ou de que Poder.
Nunca se sabe o resultado que pode ter a decisão do Supremo Tribunal Federal, nem se determinará que a decisão retroaja e que os cofres públicos sejam ressarcidos. Mas, enquanto não se pronuncia a Suprema Corte, vamos sendo vítimas da vitaliciedade, hereditariedade e de tantas outras maldades que se fazem contra o cidadão comum sob estranhos rótulos de legalidade.
Hilda Suzana Veiga Settineri

0 comentários:
Postar um comentário