
ENTÃO É ASSIM?
A cidade cresce impulsionada por inúmeros trabalhadores anônimos que diuturnamente emprestam sua força de trabalho para o desenvolvimento do município onde moram.
O pequeno estabelecimento (ponto) quase sempre, tem uma história de vida.
A casa onde moram aos poucos foi tomando as feições do morador e este, as da moradia.
É preciso compreender que em cada atividade humana, sempre existe um pouco da alma das pessoas que ali estão e daquelas que ajudaram a construir.

Não serão apenas o tilintar de algumas moedas capaz de amenizar a tristeza de parte de suas lembranças irem sendo gradualmente substituídas, para dar lugar ao progresso.
Quando ainda jovem, em alusão a chegada da Corte de D. João VI ao Rio de Janeiro, que também representou uma ruptura de paradigmas e o início de um ciclo de desenvolvimento, as portas das casas eram marcadas com as letras “PR”, significando Príncipe-regente, contudo, para os moradores entenderam que o “PR” significava uma ordem – Ponha-se na Rua.

Evidente que no Estado Democrático de Direito, as desapropriações visando, principalmente, as obras de mobilidade urbana em Cuiabá, não serão “literalmente” um ponha-se na rua, mas, contudo, inegavelmente trarão repercussão na vida das pessoas, muitas das quais, não participarão dos benefícios do desenvolvimento.
Junto, as alegrias de tantos que vão ter seus imóveis valorizados, suas atividades impulsionadas, existem aqueles que têm medo de serem lançados à sorte.
Basta andar pela tradicional Rua da Prainha, no centro de Cuiabá, nas portas faixas pretas, algumas com dizeres, todas questionando o preço a ser pago pelo desenvolvimento.
Para estes, o “PR” virou um terror.

Nenhuma indenização irá compensar o significado de sua pequena lojinha.
Ainda que se instale em outro local, demandará tempo construir uma imagem junto a clientela, muitos dos atuais, já avançados na idade, talvez não tenham essa oportunidade.
Alguns meses atrás, nessa mesma rua, políticos de todas as agremiações partidárias desfilavam com suas bandeiras e estavam disponíveis ao alcance da mão de cada um destes que agora, solidariamente, compreenderam o significado do “PR” e lamentam tantos votos em pessoas que hoje se encontram emudecidas e não podem emprestar a sua voz a esta causa popular.
Não há mal que sempre dure, daqui alguns meses, muitos destes, estarão novamente desfilando por essas ruas de Cuiabá com o intuito de buscar uma eleição para Prefeito, Vereador ou para apoiar determinados nomes que lhes interessa.
Olhe bem, cidadão, aqueles que nunca fogem aos seus compromissos e sempre estiveram solidários às causas populares.
Nesse momento é a hora da dor, ser transformado em alegria, eliminado da atividade pública aqueles que servem a interesses estranhos.
Hilda Suzana Veiga Settineri

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