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Um casal a beira de um ataque de nervos

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sérgio Jockymann

Tributo ao autor de ''Os Votos''

Morre aos 80 anos o jornalista gaúcho Sérgio Jockymann
Ele estava internado em Campinas (SP) para tratar-se de uma insuficiência renal

Nascido em Palmeira das Missões (RS), Jockymann tinha se mudado para a cidade do interior paulista para tratar seus problemas de saúde, que vinham de longa data.

Seu pai, um engenheiro agrônomo e farmacêutico e sua mãe, professora primária, tiveram uma forte influência para que nele despertasse o gosto pela literatura.

Jornalista desde os 17 anos, trabalhou como comentarista nos jornais Diário de Notícias de Porto Alegre; na Companhia Jornalística Caldas Júnior, nos jornais Correio do Povo e Folha da Tarde e na rádio Guaíba AM. Seu talento foi reconhecido por ocasião da morte do então presidente Getúlio Vargas, com a publicação de um artigo intitulado "Há um homem pelas ruas", no jornal Diário de Notícias.
Foi diretor geral da Rádio Farroupilha; diretor, apresentador e produtor da antiga TV Piratini; foi comentarista na TV Difusora (atual Band RS) e na TV Gaúcha (atual RBS). Tinha um quadro diário no programa Portovisão, da TV Difusora, até 1980, quando se transferiu para o horário noturno, fazendo o comentário final, às 21h20, no programa Guaíba ao Vivo.
Retornando ao jornalismo no final dos anos 80, após o trabalho como autor de telenovelas e seriados de televisão, fundou e editou o Jornal RS, em Porto Alegre.
Quando a TV Guaíba foi à falência, Sérgio Jockymann tomou as rédeas da emissora temporariamente, antes da chegada do novo dono, o empresário da soja Renato Bastos Ribeiro. Nos meses em que Jockymann dirigiu a emissora, colocou no ar muitas atrações locais, como o programa da hora do almoço Aqui e Agora, apresentado pela primeira e única nissei na televisão do Rio Grande do Sul. O Aqui e Agora tinha como cenário uma parede de fundo branca, com um logo de duas letras A em vermelho e laranja. Era composto de vários quadros de comentários e notícias, esporte, entrevistas. Logo depois, ia ao ar o programa jovem Clip Clap, apresentado por Gaio Fontela. O programa Magda Beatriz Entrevista era produzido por Claudinho Pereira e ia ao ar no início da tarde. Jockymann ainda criou e dirigiu o A Hora e A Vez do Rio Grande, de entrevistas, com José Fontela.
Como escritor
Foi autor de inúmeras peças teatrais, entre as quais Caim (1955), Tutu Marambá, Boa tarde, excelência (1962), Marido, matriz e filial, Lá e Treze, entre outras. Em 1980, sua peça teatral Spiros Stragos foi publicada pelo Ministério da Educação e Cultura e obteve o 2º lugar no IX Congresso Nacional de Dramaturgia.
Poesia, conto, romance
* 1957 - prêmio de "Poesia do Ano", atráves de concurso literário da Divisão de Cultura de Porto Alegre;
* 1958 - Poemas em negro - publicado pelo Instituto Estadual do Livro (IEL);
* 1975 - Vila Velha - volume I - coletânea de contos escritos para o jornal Correio do Povo e publicado pela Editora Garatuja;
* 1976 - Vila Velha - volume II - publicado pela mesma editora, em decorrência do sucesso da obra anterior;
* 1982 - Clô Dias & Noites - romance, publicado pela Editora L±
* 2000 - Sortilégio - romance, publicado pela Editora L&PM.
Televisão
* 1969 - Confissões de Penélope (seriado - TV Tupi)
* 1969 - Nenhum homem é Deus (TV Tupi)
* 1970 - A gordinha (TV Tupi)
* 1972 - Na idade do lobo (TV Tupi)
* 1973 - O conde Zebra (TV Tupi)
* 1974/1975 - O machão (TV Tupi)
* 1975 - O sheik de Ipanema (TV Tupi)
* 1975/1976 - Vila do Arco (TV Tupi)
* 1978 - Roda de fogo (TV Tupi)
* 1981 - Dulcinéa vai à guerra (TV Bandeirantes)
* 1984 - Casal 80 (seriado - TV Bandeirantes)
Os Votos
Muitos dizem que a música Amor pra Recomeçar, do Frejat, é baseada em um poema chamado Desejos, do francês Victor Hugo. Mas, adivinhem? Hugo nunca escreveu tal poesia. Já o poema Os Votos foi publicado originalmente em 30/12/1978 no jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS, e a autoria é do brasileiro Sérgio Jockymann.

Reprodução da página do jornal Folha da Tarde
com a coluna de Sérgio Jockymann
e o poema "Os Votos"
Os Votos
“Pois desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado.
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconseqüentes sejam corajosos e fiéis.
E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você interprele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro.
Desejo depois que você seja útil, não insubstituívelmente útil mas razoavelmente útil.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com que os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente.
E que essa tolerância nem se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.
Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.
Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, nem um mês e muito menos uma semana,
mas um dia.
Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, talvez agora mesmo, mas se for impossível amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes.
E que estão estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão e ouça pelo menos um João-de-barro erguer triunfante seu canto matinal.
Porque assim você se sentirá bom por nada.
Desejo também que você plante uma semente por mais ridículo que seja e acompanhe seu crescimento dia a dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano você ponha uma porção dele na sua frente e diga: Isto é meu.
Só para que fique claro quem é o dono de quem.
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que essa frugalidade não impeça você de abusar quando o abuso se impor.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você. Mas que se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
Desejo por fim que,
sendo mulher, você tenha um bom homem
e que sendo homem tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez e novamente de agora até o próximo ano acabar.
E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor pra recomeçar.
E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar”
Fonte: Folha da Tarde – Porto Alegre – 30 de Dezembro de 1978
* o correto de “se impor” seria “se impuser” (correção proposta pelo Sr. Anibal Albuquerque)
Observação: Toda pontuação e formatação do texto foram mantidas de acordo com o original.
Musica extraída do poema de Sérgio Jockymann


Pescado do Com Texto Livre

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