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Um casal a beira de um ataque de nervos

segunda-feira, 25 de abril de 2011

FEIJÃO COM ARROZ

Permissão, senhores, não adianta me oferecerem estranhos pratos.
Conheço meu paladar.
Quero um feijão bem temperado, se sobrar pode fazer tutu, revirado, virado à paulista ou um feijão tropeiro.
Para acompanhar nada demais, apenas um arroz soltinho, frito no alho, com caldo de carne, ou com o tempero de uma dessas senhoras de cabelos brancos e que tem numa pitada a magia do sabor.
Nasci e aprendi a valorizar a simplicidade e esse prato faz parte de minha identidade, está no meu DNA de brasilidade.
No passado plantar o feijão com as velhas matracas e na base da enxada capinar para que o arroz cresça no limpo, nem se falava em agrotóxico.
O mato era cortado e servia para adubar a terra.
Quantas vezes voltei da jornada com calos nas mãos, suada, desejosa de retornar ao lar.
Lá em volta da mesa, estava minha família.
Tem coisa mais bonita que o sorriso de um filho que corre em nossa direção com os braços abertos?
Nesse abraço some meu cansaço e vejo minha mãe, uma brasileira, chamar todos, um a para sentar-se a mesa e fazer uma oração.
Parece que a gente entra em comunhão com Deus, não importa se é desta ou daquela igreja, apenas pedimos que ele nos veja e dê-nos a benção por nossa devoção.

De uns tempos prá cá, não sei, mas dei de assuntar, ninguém mais quer plantar feijão, arroz, coisas de alimentar gente.
Dizem, é mais fácil e lucrativo, plantar tal de commodities que é desejada pelos estrangeiros, tem preço e por isso dá lucro.
Meu saboroso feijão com arroz está ficando difícil, quando não tem de importar o feijão, é o arroz que vem de além-mar.
Tenho dito assim, porque pouco se planta dessas comidas que dão “sustanças”, o que se tem na mesa, ainda que alguns reclamem da careza, vem da agricultura familiar.

Esse povo que apesar da dificuldade não se rende, pede e roga ao governo, aprender, comida de gente quem produz é agricultura familiar que precisa de apoio com tecnologia para aumentar a produção sem precisar da contaminação dos agrotóxicos, nem precisar recorrer nessa tal cultura de transgênicos que ninguém sabe onde vai dar.
Antes de terminar, duas coisas me dão esperança, lá em Brasília, está uma mulher que sabe o que significa família e o que é trabalhar para por um prato de comida à mesa das pessoas que vivemos para amar.
Hilda Suzana Veiga Settineri

1 comentários:

Urbano Reis disse...

E dr.Hilda, cada dia parece que você aperfeiçoa seu modo de ver a vida e de tirar conclusões.Ésta matéria tem um alto significado politicossocial, pois fala do pequeno, do pequeno gigante que é o agricultor familiar,que sempre é pouco valorizado pelos governos e pelos comodities.Mas ele resiste até quando ninguém sabe,mas ele resiste.
Parabéns guerrilheira téns um bom méstre.