EDUARDO GUIMARÃES: Augusto Nunes, blogueiro da Veja, como Reinaldo Azevedo, é pago para atacar petista. Esses ex-jornalistas constituem “braço armado” da aliança entre Abril, Folha, o Estadão e a Globo. A quase totalidade do que escrevem é contra petistas
02/07/2011 - 18:31:00 Quem é que merece crédito, na internet? Os blogueiros tidos como integrantes do PIG - Partido da Imprensa Golpista? Ou os blogueiros tidos como blogueiros governistas?
É evidente que quem deve ter a palavra final, neste assunto, é o cidadão, contribuinte, eleitor e leitor. Cada uma das correntes tem seus defensores apaixonados, às vezes delirantes. Esta PÁGINA DO E entende que deve prevalecer a multiplicidade das fontes. Por isso, reproduz artigo de Eduardo Guimarães contra Augusto Nunes e artigo de Augusto Nunes contra os blogueiros governistas. A prática é o critério da verdade. Cabe ao leitor, acompanhando o trabalho dos diversos veiculos de informação, integrar-se à construção permanente de um Brasil cada vez mais democrático, com uma imprensa cada vez mais comprometida com os interesses da população. Não é uma tarefa fácil. É preciso ter saco para seguir adiante. Mas a vida sempre segue adiante.
Direita e ultra-esquerda se unem
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania
O título deste post bem que poderia ser “quando os extremos se encontram”, ou seja, quando os grupos políticos mais atrasados do país se unem, em discurso praticamente idêntico, para atacar um movimento inovador e que os fatos mostram que está longe de encerrar uma visão unificada, como querem fazer parecer seus detratores.
Após o II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que teve lugar neste mês de junho em Brasília e que contou com a participação de celebridades como o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu, além de ministros de Estado, prefeitos e até o governador do Distrito Federal, eclodiram críticas oriundas de facções políticas supostamente incompatíveis.
Direita e ultra-esquerda andam publicando textos detratando o movimento dos blogueiros. Um deles, não surpreende. Quem escreveu foi um dos pistoleiros que a revista Veja mantém em sua folha de pagamentos sob um guarda-chuva jurídico e um fundo específico para financiar defesa contra ações na Justiça e, em caso de condenação, para pagar as indenizações.
Augusto Nunes, colunista e blogueiro da Veja, a exemplo de gente como Reinaldo Azevedo ou Diogo Mainardi é pago para atacar petistas. Esses ex-jornalistas, hoje, constituem o “braço armado” da aliança entre a Editora Abril, a Folha de São Paulo, o Estadão e a Globo. A quase totalidade do que escrevem sobre política, é contra petistas.
Nunes, que também cumpre esse papel como entrevistador fixo da bancada do programa Roda Viva, veiculado pela TV estatal do PSDB paulista, a TV Cultura, onde também se dedica a adular tucanos e atacar petistas, publicou um texto em seu blog, nesta semana, em que acusa as quatro centenas de blogueiros que se reuniram em Brasília há dez dias de serem pagas pelo governo federal para defendê-lo.
Como sempre fazem os pistoleiros da aliança tucano-midiática ao atacarem blogueiros progressistas, Nunes generaliza, não apresenta fatos, não cita nomes. Apenas faz acusações a esmo que se encerram em si mesmas, constituindo tão somente difamação e calúnia que fariam a festa de qualquer advogado dos blogueiros, se estes se dessem ao trabalho de processá-lo.
Vira e mexe, o Partido da Imprensa trata de martelar a tecla de que os blogueiros seriam “chapas-brancas” por terem ajudado a impedir a vitória de José Serra no ano passado e por terem se contraposto à tentativa da coalizão tucano-midiática de derrubar o ex-presidente Lula.
Até aí, nada demais. A grande imprensa brasileira, capitaneada pelos veículos supracitados, sempre cumpriu esse papel de linha auxiliar da direita xenófoba, racista e classista que oprimiu o Brasil por vinte anos com uma ditadura militar. O que espanta é que a ultra-esquerda, esta capitaneada pelo PSOL, mais uma vez se une à direita contra o mesmo alvo.
Militantes de ultra-esquerda foram ao último Encontro de Blogueiros Progressistas para escreverem postagens em seus blogs que disseram sobre o movimento da blogosfera exatamente o que diz a imprensa reacionária, corporativa e golpista, que seria “chapa-branca” etc., etc., etc.
O que choca é que essa “esquerda” fez de conta que não viu quando este blogueiro inquiriu duramente o ministro Paulo Bernado, ou quando Paulo Henrique Amorim ou Altamiro Borges pregaram independência da blogosfera em relação ao governo. Ignorou até mesmo o documento final do último encontro de blogueiros, que fez duras críticas ao governo Dilma Rousseff.
Consultei os companheiros da Comissão Organizadora sobre a possibilidade de exigir na Justiça que o blogueiro da Veja comprovasse as acusações que fez de que eu e centenas de companheiros receberíamos qualquer tipo de benefício pelo que escrevemos, mas, ao menos por enquanto, eles acham que seria gastar vela com mau defunto.
De fato, Nunes, como seus pares da imprensa golpista, tem credibilidade zero quando o assunto é política. Ninguém dará bola a um jornalista cujo único assunto é o PT, que só aborda política para atacar o partido e que não diz um A sobre a oposição, apesar de se dizer “isento”. Então, ele já se ataca sozinho, dispensando seus alvos do trabalho.
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LEIA, AGORA, O QUE AUGUSTO NUNES ESCREVEU EM SEU BLOG, NA PAGINA DA VEJA NA INTERNET
Os comandantes da ofensiva contra a liberdade de imprensa ignoram que nem todos os jornalistas estão à venda
Augusto Nunes/Direto ao Ponto
Entre uma rodada de palestras financiadas por empresários amigos e uma missa negra pela salvação da pele dos pecadores de estimação, Lula retomou na terceira semana de junho a ofensiva contra a liberdade de imprensa. Coerentemente, a discurseira que tenta estigmatizar o jornalismo independente e faz a louvação da censura, rebatizada pelo PT de “controle social da mídia”, foi ressuscitada no Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que juntou em Brasília o bando que age na internet a serviço do governo e, sobretudo, do ex-presidente que ainda não desencarnou do Planalto.
“Nunca me preocupei com crítica, mas que elas sejam verdadeiras”, mentiu Lula para a plateia de blogueiros estatizados pelo companheiro Franklin Martins com verbas, empregos e favores providenciados pelo Ministério da Propaganda. “O que me preocupam são as inverdades, como aquela pedra, meteorito, que bateu na cabeça de um candidato na eleição”, voltou a trocar os fatos a socos e pontapés, insistindo em debochar da agressão sofrida pelo candidato tucano José Serra num evento eleitoral no Rio de Janeiro.
Anabolizado por salvas de palmas, o palanque ambulante caprichou nos afagos aos coadjuvantes das sucessivas farsas encenadas para transformar afrontas à democracia em piadas ─ ou para negar que aconteceram. “Vocês evitaram que a sociedade brasileira fosse manipulada como durante muito tempo ela foi manipulada”, inverteu as coisas o falsário patológico. “Vocês evitaram que os falsos formadores de opinião pública ditassem regras do que deveria acontecer no país”.
Nessa versão pilantra, o Brasil escapou de afundar nas fantasias urdidas pela imprensa não domesticada graças aos progressistas eletrônicos ─ uma tribo que agrupa fanáticos estacionados no começo do século 20, exotismos que ainda empunham garruchas da Guerra Fria e ex-jornalistas que arrendaram a alma ao governo para garantir uma velhice poupada ao menos de achaques financeiros. Todos incondicionalmente subordinados ao morubixaba, não acham nada sem prévia autorização, nem ousam pensar por conta própria. Esses requintes são para quem têm autonomia intelectual. Limitam-se a fazer o que o dono ordena.
No Brasil dos blogs governistas, não existem safadezas, roubalheiras, corrupção, ladroagem, quadrilhas federais, nada disso. E o escândalo do mensalão, claro, foi uma invencionice da elite golpista. Nesse país sem pecados, Erenice Guerra é uma dama de reputação ilibada, Antonio Palocci prosperou honestamente, Aloízio Mercadante e seus aloprados jamais fabricaram dossiês, Dilma Rousseff é uma pensadora onisciente, Lula é o gênio da raça e o partido segue honrando a frase recitada por José Dirceu no século passado: “O PT não róba nem deixa robá”.
O inevitável Dirceu apareceu no segundo dia da quermesse em Brasília disposto a explicitar o que o chefe sugerira e, de novo, esvaziar o estoque de bravatas. “É uma vergonha que a regulação da mídia não seja realidade”, irritou-se. “Se o Poder Legislativo é soberano e autônomo, ele fará a reforma”. Se não fizer, avisou o palavrório, terá de haver-se com as tropas do combatente diplomado em Cuba. “Estou disposto a travar essa luta junto com vocês”, avisou o guerrilheiro de festim.
Declarações beligerantes formuladas por Dirceu só conseguem matar de rir. Vencido pelo padeiro de Ibiúna em 1968, pelo medo paralisante nos anos 70, pela própria arrogância no restante do século, ele foi definitivamente derrotado pelo prontuário em 2005. Mas o revolucionário de araque está sempre pronto para perder mais uma. Ele se recusa a morrer antes de monitorar, de preferência instalado no gabinete do ministro da Propaganda, a implantação do controle social da mídia.
Enquanto durasse a experiência liberticida, o que merece ou não virar notícia seria decidido por comitês formados por gente de confiança do governo, como os participantes do encontro em Brasília. “Os blogueiros progressistas não têm rabo preso com ninguém, a não ser com a própria consciência”, garantiu Dirceu. Os que conheci nunca souberam o que é isso. Dependendo do preço, suariam a camisa com o mesmo entusiasmo num campo de concentração nazista ou num gulag soviético.
A recidiva autoritária de Lula e Dirceu foi concebida para inibir os que não se deixam intimidar e açular os blogueiros federais. Além dos incontáveis casos de polícia já eviscerados pela imprensa, vêm aí a Copa da Roubalheira, a Olimpíada da Ladroagem e, antes dos dois espantos, o julgamento da organização criminosa envolvida no mensalão. Para que o governo do padrinho e da afilhada não fique ainda pior no retrato, é essencial reduzir o espaço de quem insiste em contar o caso como o caso foi e ver as coisas como as coisas são.
Os comandantes da ofensiva, intensificada neste fim de semana, vão constatar de novo que manobras liberticidas naufragam já nos primeiros artigos da Constituição. E descobrirão que não são poucos os profissionais que ilustram a lição de Cláudio Abramo: “O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, o exercício cotidiano do caráter”. Jornalistas independentes são prisioneiros voluntários da paixão pela verdade. Enxergam e denunciam delinquências seja qual for a filiação partidária do bandido. Sabem que a liberdade não tem preço. E não estão à venda.
O que fica de tudo isso, é o seguinte: quando a direita midiática e golpista e a ultra-esquerda moralista se unem para chamar de “chapa-branca” o movimento dos blogueiros progressistas, sempre escrevendo entre aspas o adjetivo que lhes completa a denominação, esse movimento pode se orgulhar, pois certamente está no caminho correto.
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Nassif e o novo ciclo da blogosfera
Por Luis Nassif, em seu blog:
O Segundo Encontro dos Blogueiros, em Brasília, marca o fim de uma era histórica e o início de outra era promissora.
Não compareci ao encontro de Brasília por questões familiares – o fim de semana é sagrado para as menininhas. Mas já tinha solicitado o afastamento do movimento por julgar que a grande missão – na qual me sentia incluído – já tinha sido completada.
A era histórica foi a grande frente que ajudou a afastar a maior ameaça que a democracia brasileira enfrentou desde a eleição de Tancredo: a perspectiva de um país da dimensão do Brasil presidido por um político vingativo e desequilibrado como José Serra.
No encontro que consolidou esse pacto conheci a senhora que montou o blog para denunciar os crimes de maio em São Paulo; a blogueira do Complexo do Alemão; colegas dos mais diversos rincões do país, empenhados em trazer à tona os fatos locais. Ou seja, uma diversidade muito maior do que o fato pontual das eleições. E havia os militantes, alguns históricos, outros jovens que descobriam a militância através da Internet.
No evento de lançamento do movimento procurei explicitar minha posição. A frente era composta por pessoas de várias tendências e cimentada por alguns princípios comuns a todos: a defesa da democracia, da inclusão social, contra toda forma de intolerância e preconceito e dando voz a todos os excluídos pela velha mídia.
O grande desafio seria posterior, quando terminasse a guerra e aparecessem as divergências. Aí mostraríamos o avanço democrático, de poder divergir de forma civilizada.
Agora entra-se na segunda etapa.
A blogosfera é composta por vários grupos de blogueiros, entre os quais dois se destacam: os militantes e os jornalistas. Pertenço ao segundo grupo.
Há características diversas em ambos os grupos, alguns pontos em comum e uma divergência básica: o militante tende a buscar uniformidade do pensamento. No meu caso, sempre entendi a política e a economia com menos dogmatismo. Em meus escritos tenho enfatizado que a construção do Brasil passou por cabeças das mais variadas, de Roberto Campos a Celso Furtado, de Octávio Gouvêa de Bulhões a Rômulo de Almeida.
Sempre entendi que a construção do país deveria ser fundamentalmente pragmática. Com o Partidão, desenvolvemos o modelo federativo do SUS; com os liberais, o mercado de capitais; com a Igreja, o PT e os movimentos sociais, a tecnologia para extirpar a pobreza; com os administradores, as ferramentas de gestão; com os cientistas, as políticas de inovação; com os funcionários públicos, o papel proativo do Estado.
O grande papel da Internet será dar voz a todos. É a partir do aumento dos protagonistas que rompe-se a muralha da informação e permite-se ao país avançar rumo ao estágio mais avançado da democracia, aquele em que deixam-se de lado as decisões autárquicas e amplia-se a negociação e as decisões compartilhadas.
Na Internet, esse novo estágio exigirá o aparecimento de novos personagens, os mediadores, aqueles locais que preferencialmente deem a voz aos sem mídia, mas sem filtros ideológicos e sem temas tabus. Considero que fazem parte dos sem mídia não apenas os movimentos sociais, criminalizados, mas setores da economia, como indústria, agronegócios, os órfãos do câmbio.
Nos próximos anos haverá dois grandes desafios na Internet. O primeiro, esse contraponto à velha mídia; o segundo, o de impedir que essa guerra leve à vitória final da intolerância sobre a razão.
Na grande guerra mundial do ano passado, o esquema Serra trouxe para a Internet a mais sórdida campanha de mídia que esse país já conheceu, com esquemas profissionais barras-pesadas praticando à exaustão assassinatos de reputação, intolerância, efeitos-manada. O que deu legitimidade aos chamados "blogueiros sujos" foi não ter embarcado nesse jogo pesado.
O grande desafio, daqui para diante, será ampliar a frente evitando as armas dos adversários, impedindo as baixarias, assassinatos de reputação, intolerância.
Continuaremos todos por aí. Mas na minha memória afetiva jamais sairão os momentos da grande guerra do ano passado. Cada vez que desanimava com os ataques, as baixarias, olhava para o lado e encontrava companheiros blogueiros indo em frente. E o mesmo devia ocorrer quando qualquer um deles desanimava com o que parecia ser o avanço irresistível do pensamento mais atrasado.
Construímos um momento histórico na vida política do país, impedindo o desmoronamento da democracia.
Agora será a grande luta por sua consolidação, cada qual militando na sua trincheira.


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