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Da Reportagem
Tombado como patrimônio histórico e cultural pela Secretaria de Estado de Cultura, o Porto seria um local ideal para contar a história de Cuiabá. Seria. Porque hoje quem chega ou passa pelo bairro encontra-o sujo, mal cuidado e com seus becos e casarios abandonados, que expõem um cenário degradante com o submundo das drogas, da prostituição e da violência.
O aspecto de abandono é maior ainda por conta do lixo, que se acumula pelas esquinas e praças como a “Maria Ricci”. Porém, para a maioria das famílias que residem e amam o Porto a grande expectativa é que as obras para a Copa do Mundo de 2014 promovam uma verdadeira transformação no bairro mais antigo da Capital e que já foi uma área nobre, habitada por fazendeiros, coronéis e cuiabanos de renome.
“A gente realmente espera que melhore porque está bravo. Há muita boca-de-fumo. É droga circulando 24 horas por dia e casarões abandonados servindo de esconderijo para drogados”, disse o proprietário de um comércio que fica na rua Joaquim de Albuquerque, e que pediu para não ser identificado. Segundo ele, no bairro há pelo menos 15 bocas-de-fumo.
Residente no Porto há 28 anos, Darlene Aparecida Oliveira Silva, 44 anos, lamentou a situação. “O bairro só recebeu atenção no governo de Roberto França. Depois, voltou a ficar esquecido. Para maquiar, cuidam da praça Luiz Albuquerque, do Museu do Rio e do Aquário Municipal. O resto não recebe nenhuma atenção. A praça Maria Ricci está toda quebrada e, à noite, ninguém frequenta por causa dos usuários de droga. Até a praça do Siriri e Cururu está abandonada”, comentou.
Presidente da Associação de Moradores, Francisco Ruiz contou que há no bairro várias casas que já foram luxuosas em outros tempos e hoje se deterioram devido à falta de manutenção. “Aqui, na travessa Comandante Suídio, há duas casas que pertence a uma promotora de eventos e a uma família tradicional da cidade e que estão abandonadas e desmoronando. Esses imóveis ficam aí parados, não vendem, não alugam e não reformam”, comentou Ruiz acrescentando que a acredita que os donos têm condições de cuidar melhor dos imóveis.
Conforme Ruiz, apesar da expectativa dos moradores, até agora ninguém sabe ao certo o que há de projeto para o bairro. “Já mediram, já perfuraram, mas até agora nada de oficial foi comunicado. Tem comentários de que vão construir um viaduto e que vão até tirar casarões tombados”, disse.
Ruiz reconheceu que para melhorar o Porto precisa de os moradores e comerciantes participarem e ajudarem a mantê-lo limpo e preservando a sua memória cultural. Por outro lado, cobra mais atenção por parte do poder público. “Os garis varrem a área do Museu do Rio e deixam o restante do bairro do lado. A praça Maria Ricci precisa de reforma. Uma das muretas da quadra já caiu e a outra está para cair. Além disso, há vários anos que existe um problema de esgoto na travessa Manoel Nunes”, disse.


1 comentários:
É uma pena que parte tão importante de registros arquitetônicos da história cuiabana se percam. Infelizmente, ainda não aprendemos a valorizar a memória, que é fator fundamental para o estabelecimento de nossa identidade cultural.
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