
Cerca de 700 trabalhadores da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) cruzam os braços a partir da próxima segunda-feira. Após assembleia realizada nesta quarta-feira, a categoria aprovou o indicativo de greve e aguarda o prazo legal de 72 horas para suspender as atividades. Eles são contrários à aprovação do projeto de lei que permite a prefeitura definir a forma de exploração do serviço o que, na prática, autoriza a concessão para a iniciativa privada. A única forma de se evitar a paralisação é o veto do Executivo Municipal ao projeto.
O ponto mais polêmico do texto é o artigo 6º, que afirma que a Sanecap não receberá indenização alguma da nova empresa. Com isso, a categoria teme que não haja recursos para a quitação de salários e outros direitos trabalhistas. A medida afeta diretamente toda a população da Capital, atendida por 155 mil ligações de água e 55 mil de esgoto. O sistema hoje conta com 2.800 quilômetros de linhas de transmissão de água e 680 de esgoto. Com a paralisação, apenas 30% dos funcionários manterão as atividades, todas emergenciais e de atendimento. Cobranças, cortes e faturamento não serão feitos no período.
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Saneamento Ambiental de Cuiabá (Sintaesa) se reuniram com membros do Ministério Público Estadual (MPE) para solicitar uma investigação em todo o teor do projeto (Leia mais na página 6A).
Para o secretário geral do Sintaesa, Roberto Fernandes da Silva, a medida foi precipitada e nem funcionários ou a população foram informados. O sindicato acusa a prefeitura de patrocinar o sucateamento do órgão para justificar a privatização.
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