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Um casal a beira de um ataque de nervos

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Trabalhadores da Sanecap entram em greve contra concessão e por condições de trabalho

Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça

Em uma assembleia geral cheia, trabalhadores da Sanecap, concursados e terceirizados unidos, decidiram, agora pela manhã (17 de agosto),

entrar em greve, imediatamente, respeitando apenas as 72 horas legais. Enquanto não vence esse prazo, os trabalhadores estarão em assembleia permanente. A categoria se coloca contra a privatização ou concessão da empresa e cobra melhores condições de trabalho.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Saneamento (Sintaesa), Idueno Fernandes, afirmou que a diretoria da empresa será notificada ainda hoje sobre a greve.

A assembleia lotou a central da Sanecap, que fica no bairro Carumbé, periferia de Cuiabá. É de lá que os funcionários da empresa saem para trabalhar no setor de corte, na manutenção da rede, fazendo leitura dos relógios e em outros setores. A maioria deles ganha um salário que varia R$ 700 a R$ 1500.

A Sanecap tem cerca de 500 funcionários concursados e 200 terceirizados.

André Felipe, operador de ETA, que é do comando de greve, disse que será tirada uma agenda de atividades ainda hoje para que o movimento dialogue com a sociedade. Segundo ele, o prefeito Chico Galindo (PTB) está usando a imprensa para fazer o discurso pró-concessão e para detonar a empresa, como se ela não funcionasse e nem nunca poderá
funcionar bem. “Com a greve, também poderemos dar a nossa opinião. A maioria de nós quer a empresa pública e com qualidade e acredita que isso é possível sim”. Conforme André Felipe, a categoria entende que a Sanecap está sendo desmontada propositalmente.

Dois servidores da CAESB, empresa pública de água e esgoto de Brasília, estiveram presentes na assembleia para apoiar o movimento grevista. Eles são do Sindágua, formado por servidores da CAESB. Igor Pontes explicou que a CAESB passou por esse mesmo processo de risco de privatização em 2002 e a reação dos trabalhadores da empresa e da sociedade civil organizada foi fundamental para reverter o processo. De acordo com o que ele diz, o processo parlamentar e popular em Brasília tem muitas semelhanças com o que está acontecendo em Cuiabá. O executivo encaminhou à Câmara projeto de lei criando a agência reguladora do serviço. “E nós não aceitamos isso. Fizemos vários protestos, greves e inclusive uma cartilha explicativa para a sociedade”, conta Pontes.

Segundo ele, apenas 10% das empresas de água e esgoto no Brasil estão nas mãos de empresários. As outras ainda são públicas, embora a política neoliberal dominante esteja
constantemente forçando novas privatizações ou concessões.

Ele cita como exemplo a CAESB e a COPASA, de Minas Gerais, que são referências de empresas públicas que funcionam. A CAESB, por exemplo, diz Pontes, presta consultoria para diversos países do mundo.

“Por isso, acreditamos que se há vontade política tem sim como manter a empresa pública e com qualidade. Se a Sanecap está sendo desmontada, isso é proposital realmente”, reafirma Igor Pontes.

Representantes da Sanecap e do Instituto de Desenvolvimento de Programas (IDEP), que também estavam presentes na assembleia, tentaram reverter a decisão de greve, inclusive lembrando dos riscos de demissão. Mas a base se mostrou muito convencida de que não há outro caminho.

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