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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Inverno de Calças Curtas – por Leandro Fortes

Enviado pelo editor do Blog da Dilma em São Paulo, Júlio Amorim - jotamorim@gmail.com
Para fugir do processo de licitação, a prefeitura compra uniformes inadequados
A sede da LV Distribuidora de Materiais Ltda, uma pequena casa térrea de tijolos à vista, ocupa uns poucos metros numa rua bucólica do bairro de Icaraí, em Niterói (RJ). Dada a simplicidade e recato do lugar, não é possível imaginar o tanto de dinheiro que corre por detrás do janelão da entrada, prudentemente bloqueado por escuras persianas. Uma pequena câmara de monitoramento colocada no alto da porta de entrada, permanentemente trancada, é o único indício aparente de preocupação com a segurança da empresa. No mais, pode-se facilmente pular para o minúsculo jardim da frente, resguardado da rua somente por um muro baixo e sem grades.
Em 31 de dezembro, no apagar das luzes de 2010, a pequena fornecedora fluminense de roupas, calçados e equipamentos de impressão conseguiu, sem licitação, um contrato de 73,1 milhões de reais com a Secretaria Municipal de Ensino de São Paulo. Vai fornecer uniformes escolares para 750 mil estudantes da maior cidade do País, graças a uma brecha na Lei 8.666 de Licitações, que permitiu à prefeitura comandado por Gilberto Kassab, do DEM, clonar um contrato semelhante a LV e o município do Rio de Janeiro. Por conta disso, embora viva em uma cidade de clima majoritariamente frio, a garotada paulistana não vai receber roupa de inverno para ir à escola. Terá de se virar com os kits preparados pela LV para os estudantes da tropicalíssima capital carioca.
O segredo do sucesso da LV Distribuidora de Materiais, contudo, não é fácil de ser desvendado. CartaCapital esteve em Niterói, na terça-feira 25, para tentar falar com o dono da empresa, Rinaldi da Silva Venâncio Júnior, mas não obteve sucesso. Pela manhã, disse uma secretária, Venâncio Jr. estava em uma reunião, mas se comprometeu a retornar a ligação para, assim, dar esclarecimentos sobre o contrato firmado com a prefeitura paulistana. À tarde, pelo interfone da porta da casa, em Icaraí, uma secretária identificada como Paloma avisou que o empresário havia viajado para Curitiba, no Paraná. Iria anotar, contudo, o telefone de contato do repórter para posterior ligação. Telefonema esse que, até o fechamento desta edição, jamais foi recebido.
O contrato milionário de fornecimento de uniformes para a rede municipal de ensino de São Paulo foi assinado pelo secretário de Educação do município, Alexandre Schneider, e o empresário Venâncio Jr. Dentro da prefeitura paulistana, Schneider é um dos poucos remanescentes de confiança do ex-governador José Serra, do PSDB, de quem foi secretário adjunto no governo estadual. Durante a campanha presidencial de 2010, o secretário municipal de Educação chegou a ser escalado em um comício de Serra para criticar as políticas educacionais do PT, entre elas, a manutenção das chamadas “escolas de lata”, onde, segundo ele, as crianças passavam frio no inverno. Isso numa época em que, ao menos, as roupas de inverno faziam parte do kit de uniformes da gurizada.
A roda da fortuna da LV Distribuidora de Materiais, uma empresa com apenas dois funcionários, segundo informações da Serasa via consulta pelo CNPJ, começou a girar ainda em abril de 2009, quando a prefeitura de São Paulo fez publicar um edital de licitação com os parâmetros de aquisição de kits completos de uniforme, inclusive blusões e calças de helanca para o frio. A concorrência, no entanto, foi suspensa, em meados de 2010, por determinação do Tribunal de Contas do Município, sob suspeita de irregularidades. Antes de esperar a decisão final do TCM, o secretário Alexandre Schneider preferiu, então, adotar um expediente pouco usado dentro da administração pública, a chamada adesão à ata de registro de preços preexistente entre a LV e a prefeitura do Rio. Ou seja, clonou um contrato existente sob o argumento de que os estudantes paulistanos precisam exatamente das mesmas roupas que seus colegas cariocas. Esqueceu-se das diferenças climáticas.
O contrato de 73,1 milhões com a empresa de Niterói poderia ter passado escondido pela burocracia da Prefeitura de São Paulo, não fosse uma ação popular impetrada, em 22 de dezembro de 2010, na Vara da Fazenda Pública, por uma empresa paulista, a Diana Paolucci Indústria e Comércio. Também fornecedora de uniformes, a empresa se sentiu lesada por não poder participar da concorrência e entrou na Justiça atrás de uma liminar para suspender a a previsão de contrato entre Alexandre Schneider e Rinaldi Venâncio Jr. Em vão. A Secretaria de Educação foi mais rápida e, em 31 de dezembro, Schneider autorizou a adesão à ata de registro de preços da Secretaria Municipal de Educação do Rio. O contrato foi publicado logo depois no Diário Oficial da Cidade de São Paulo, em 4 de janeiro de 2011.
A licitação de materiais escolares da cidade de São Paulo é a maior entre todas as prefeituras do Brasil. Este ano, entre uniformes e material escolar, o município deverá gastar mais de 120 milhões de reais. O universo de estudantes da rede municipal paulistana é de, aproximadamente, 750 mil crianças espalhadas por cerca de mil escolas. Como não tem parque fabril, mas apenas a casa-sede de Niterói, com somente dois empregados, a LV Distribuidora de Materiais terá de importar todos os 750 mil kits de uniformes, comprados por 97,52 reais a unidade pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Como, pelo menos oficialmente, a empresa só foi contratada em janeiro deste ano, ainda não se sabe como será feita essa operação. Sabe-se, contudo, que uma importação desse porte demora, em média, 90 dias para ser atendida. Ou seja, só chegará em abril, depois do início das aulas. E sem as roupas para o frio, que começa em maio.
Deve-se levar em conta, além do clima, as circunstâncias do contrato do Rio de Janeiro, referente a 650 mil estudantes, clonado pela prefeitura de São Paulo. O custo da operação logística em São Paulo, isto é, para a entrega personalizada dos uniformes aos alunos da rede municipal paulistana, é calculado em 8,19 reais por kit. No Rio, onde a entrega é centralizada, feita em um ponto só determinado pela prefeitura, esse custo é de 1,64 real por kit. O gasto paulistano nesse item, portanto, é cinco vezes maior.
Além disso, o custo previsto de fabricação de um kit de uniforme, segundo o contrato clonado da prefeitura do Rio, com produtos nacionais, é de 88,91 reais. Então, somente se conseguir importar os kits por 71,97 reais a unidade é que a LV tornará o negócio fechado com São Paulo rentável. Vai se meter numa matemática difícil porque, com os impostos, um kit de uniforme escolar importado, segundo os parâmetros do contrato, não sai por menos de 85 reais. Para tal, a empresa de Niterói terá de aumentar em mais de 100% a sua capacidade de investimento, isso num momento em que, segundo dados da Serasa, a firma possui títulos sob protesto junto a bancos.
Na ação popular impetrada pela Diana Paolucci Indústria e Comércio, os três advogados que a assinam alegam, entre outros termos, não existir previsão legal para a contratação da LV Distribuidora de Materiais. Nem dela nem de qualquer outra empresa, porque tanto a Lei 8.666 como dois decretos municipais (44.279/2003 e 45.689/2005) prescrevem a licitação como condição primordial para compras da administração pública, à exceção de situações de calamidade e emergências do gênero. Ao aderir à ata de registro de preços do Rio, anotaram os advogados, a prefeitura de São Paulo pegou “carona”para beneficiar a empresa LV, de Niterói.
Além disso, de acordo com o edital de licitação barrado pelo TCM, os kits de uniforme escolar para os alunos da rede municipal de ensino de São Paulo devem obedecer a diversas peculiaridades do universo de escolas da cidade, entre os quais cores, desenhos, modelos e o brasão do município – estes, sobretudo o último, diferentes daqueles presentes no contrato firmado pela LV com a prefeitura do Rio. Ocorre que, para se fazer a adesão à ata de registro de preços, é preciso, também, copiar exatamente os itens do contrato clonado. Dessa forma, se for cumprir a lei sem restrições, os uniformes paulistanos teriam de, um última instância, ser entregues com o brasão do município do Rio de Janeiro.
Essa adequação de um contrato ao outro, conforme argumentação apresentada à Vara da Fazenda pela Diana Paolucci, vai provocar mudanças curiosas no vestuário das crianças matriculadas na rede municipal de São Paulo. Uma jaqueta e uma bermuda foram eliminadas do kit mínimo de uniformes. Também acaba a necessidade de cada peça do uniforme escolar ter o tamanho especificado na etiqueta e o nome dos responsáveis pelo aluno estampado no kit. Pelas novas regras, os modelos e os tamanhos de uniformes serão adequados às faixas etárias e aos tipos físicos dos alunos. Graças a isso, alega a ação da concorrência, serviram apenas para reduzir os custos operacionais e facilitar a entrada da LV no negócio.
O site da LV Distribuidora de Materiais informa que a empresa fornece, além de uniformes escolares e profissionais, mochilas, bolsas, kit escolares, coturnos, botinas, botas e sapatos militares. Também trabalha com locação e venda de copiadoras, além de terceirizar centrais de cópias de impressão. No link de clientes aparecem o governo do Rio de Janeiro, os comandos da Marinha e da Aeronáutica, além das prefeituras do Rio e do município fluminense de Guapimirim. O site não especifica nem os termos nem a natureza dos contratos colocados no site.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, a suspensão do processo de licitação, em julho de 2010, pelo Tribunal de Contas do Município inviabilizou a compra das peças do uniformes. Assim, quando o edital foi liberado, em dezembro, o prazo para as empresas realizarem a entrega saltaria, de acordo com a assessoria, de 60mpara 120 dias, após o trâmite do processo licitatório. Na avaliação do órgão, os alunos só receberiam os uniformes no segundo semestre. Diante disso, continua a assessoria, e do fato de a pesquisa de mercado realizada pela secretaria ter apontado “valores mais elevados que o esperado”, surgiu a ideia de aderir à ata do Rio de Janeiro.
Pelas contas apresentadas pela Secretaria de Educação, em 2009, o município teria pago 116,50 reais por kit de uniforme. A pesquisa de preços de 2010, contudo, teria apontado um valor médio de 143,89 reais. Como a ata do Rio de Janeiro oferece o kit a 97,52 reais, explica a assessoria de imprensa, a prefeitura paulistana vai economizar 34 milhões de rais, graças ao contrato firmado com a LV Distribuidora de Materiais.
Segundo a assessoria, o kit do Rio é igual ao adotado até então em São Paulo – exceto pelo conjunto de calça e blusa de helanca, mais adequado ao frio de São Paulo, que será licitado nas próximas semanas. Ou seja, a prefeitura terá de licitar as roupas de inverno que não fazem parte do contrato clonado da Secretaria de Educação do Rio. Não foram informados os valores envolvidos na transação.
Para a Secretaria Municipal de Educação, não houve dispensa de licitação, haja vista a adesão à ata de registro de preços ser um mecanismo legal, amparado na Lei 8.666. Ao aderir a essa ata, garante a assessoria de imprensa, a secretaria observou os princípios constitucionais da economicidade e da moralidade no uso dos recursos públicos. Assim, continua, serão entregues, em 2011, em data não informada, os cerca de 750 mil kits de uniforme escolar para os alunos das Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) e os estudantes de Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs).
De acordo com a informação passada pela secretaria, a capacidade da LV para prestar o serviço foi atestada durante o registro de preços feito no Rio de Janeiro, que levou em consideração as qualificações técnica, econômico-financeira, fiscal e jurídica para o fornecimento das peças de roupas. Além disso, a prefeitura de São Paulo garante ter consultado a do Rio sobre a possibilidade de adesão, bem como a empresa detentora da ata, e, em ambos os casos, recebeu manifestação favorável. Fonte: Carta Capital 631.

AGORA VAI?





As obras conduzidas pela AGECOPA vão se encaminhando.
Não resta a menor dúvida que a sociedade cuiabana vai ganhar uma série de melhorias, constituídas basicamente de obras.
Sem a Copa de 2014, possivelmente iriam demorar algumas décadas para se realizarem as benfeitorias que serão entregues em pouco tempo.
Enquanto isso, no mesmo governo enclausurado numa redoma a Secretaria de Esportes (por sinal que não tem papel relevante na AGECOPA) não conseguiu implantar um programa de desenvolvimento do Esporte.
Veja bem, como anda os trabalhos e projetos de formação de atletas?
As muitas escolinhas de formação, na verdade, são negócios particulares visando o descobrimento de talentos para serem colocados em clubes e na maioria das vezes, bancado pelos pais.
Não entendo dar (isso mesmo dar) dinheiro público para futebol profissional (profissional?).
Repare bem, o dinheiro que sai de seu bolso é para patrocinar essas equipes, que cobram ingressos, vendem publicidade, e se tiverem competência, realizam transações de atletas com outros clubes podendo ter lucros.
Imaginem se um desses clubes tem lucros, já que os atletas foram financiados pelo dinheiro público, haveria de se perquirir se haveria participação para o erário?
Mas isso é utópico, já que, com exceção de poucas equipes do interior, a grande maioria investe em valores que na Argentina são chamados de “patadura”, referindo-se as habilidades e ao potencial, mas, além disso, alguns já rodaram por tantos lugares e poucos foram destaques que merecem a seguinte inquisição: que tipo de experiência estariam passando para os novos atletas?
Fico a pensar o que estaria fazendo a Secretaria de Esportes para criar uma cultura futebolística e após a Copa do Mundo os espaços, inclusive, o Estádio ser usado para o desporto, com público.
Com a ausência de projeto e programa para o desenvolvimento do esporte, lamentavelmente, temo que se assemelhe ao Ginásio de Esportes que raramente é utilizado para competições e treinamentos.
Claro, não podemos dizer que se trata de elefante branco, até porque no cerrado esse animal não faz parte da fauna, contudo, existem outros nomes regionais que assentariam bem, jacaré branco, por exemplo.
E, por favor, quando forem colocar nomes, não se esqueçam, DE ATLETAS, já falecidos e nada de pessoas vivas, apenas para reforçar o culto de personalidades.
Novo Secretário de Estado de Esportes, novo Secretário Municipal de Esportes (plantão), espero que não sigam as velhas rotinas.
Hilda Suzana Veiga Settineri

O povo não é bobo, fora Rede Globo


Produção e edição: Daniel Pearl - Blog da Dilma(Direto de Brasília)

HORROR A DIFERENÇA - BBB - PARA-ATLETISMO!


É ruim quando temos que voltar a assuntos já tratados, este em particular me acompanha desde 1977, quando publicamos (grupo que comandava o DCE-UFRGS) uma crítica ao assunto - infelizmente não tenho o texto para disponibilizar, mas o título era Horror à Diferença e saiu no jornal do Manifesto após o racha com a Nova Proposta*.

Já na blogosfera fiz publicações sobre o mesmo tema desde 2007.

É impressionante como é quase inexistente a cobertura dos para-eventos.

E vejam que o Brasil já há algum tempo vem se tornando destaque nesta área.

Em 2007, (nota acima) fomos o 1 lugar nos Jogos Para-PanAmericanos e este ano conquistamos o inédito 3 lugar no mundial de para-atletismo realizado na Nova Zelândia.

A diferença de cobertura é gritante, não há acompanhamento de equipes de reportagem ao evento, os vencedores não são paparicados nos diversos programas esportivos de nossas emissoras e, para que os interessados possam acompanhar nosso desempenho temos que ficar garimpando curtas notas nos tele-jornais e nos programas desportivos.

Nada de chamarem nossos HERÓIS em programas de entrevistas ou acompanharmos sua chegada triunfal ao país que muito souberam engrandecer aos olhos do mundo.
Para terem idéia, leiam Brasil bate recorde de medalhas no Mundial de Para-Atletismo e também André Oliveira: o destaque brasileiro no Para-Atletismo.

Que edificante para nossa juventude se os exemplos de superação, de determinação, de força de vontade poderiam estar sendo passados ao invés do dito zoológico humano (Pedro Bial) do BBB. Neste, apesar de colocadas diversas pessoas com diferenças - nivela-se pelo que de pior há no relacionamento humano. Inveja, mentira, subterfúgios, torpezas - com a única e "elevada" razão de se apossar dos prêmios.

Nas poucas inserções que apareceram na telinha chegamos a ver a extrema alegria destes valorosos guerreiros - estes sim são GUERREIROS, são HERÓIS com letras maiúsculas. Podemos ver quebras de protocolo, gestos de altruísmo, como o da corredora cega dividindo suas medalhas com seus "olhos", que a acompanham na vitória.

Luiz Antonio Franke Settineri - SAROBA

* Fomos eleitos em 1976 na chapa Nova Proposta, rachamos e criamos o grupo Manifesto que durou mais alguns anos atuando no ME.

Fotos pescadas na internet.

domingo, 30 de janeiro de 2011

COMO ESCOLHER O CANDIDATO (A) A PREFEITO (A) – PARTE III




No ninho das aves de grande bico, muita pena e pouco cérebro, começa a sua natureza carnívora se revelar.
Em várias unidades da federação e a nível nacional. Na capital mato-grossense com a derrota espetacular nas últimas eleições – elegeu apenas um deputado estadual – se ensaiam vôos claudicantes de alguns destroçados e do sobrevivente.
Símbolo da “caridade” em seu estabelecimento hospitalar.
Mas, o representante das aves de bico grande deve se recordar que nas últimas décadas, todos os prefeitos foram de seu partido e todas as mazelas que se fez na saúde pública em Cuiabá, obviamente, levam a chancela com as cores da ideologia privatista de sua organização partidária.
De duas situações pode escolher uma: era omisso em relação ao descalabro que se encontra a saúde pública devido a administração municipal ou era insignificante o bastante para não ser ouvido.
Acredito que a sociedade cuiabano saberá entender em qual das duas situações melhor se amolda a sua atuação “paralamentar”.
A administração municipal desenvolvida pelas aves de grande bico não perceberam que ocorrem em períodos determinados chuva, com maior probabilidade de desenvolvimento do mosquito da dengue e por isso, quantos foram vitimados?
Essa administração municipal fez muitas famílias chorarem pelos seus entes queridos que perecem no atendimento precário e “mascarado” da saúde pública. Não se esqueça, nobre “paralamentar”, se elegeu dando aval a todos esses que legaram o infortúnio a população cuiabana.
Ainda, entendo que todos aqueles que se elegeram devem cumprir o mandato. Não foram eleitos secretários ou para outra função, bem deve abandonar o mandato para se candidatar a outro.
Uma boa escolha é sempre em alguém ou um projeto diferente capaz de proporcionar as mudanças necessárias para melhorar a qualidade de vida de toda a população.
Para a próxima eleição, não vote em quem tem mandato pela metade, para não lamentar depois.
Hilda Suzana Veiga Settineri

TUNÍSIA TAMBÉM TEM BLOGS SUJOS!



CHARGE DO LATUFF

sábado, 29 de janeiro de 2011

COMO ESCOLHER O CANDIDATO A PREFEITO(A) – PARTE II




Bendito dom da palavra (quando vinda de lábios puros) que consegue fazer milagres, junto aquele que sente desconforto, tristeza ou sofrimento.
A palavra que antes se limitava alguns poucos, pelo falta de potencia da voz, ganhou então, a quase ilimitude dos microfones e foi transportada pelas ondas do rádio, TV e mais recentemente pelo fenômeno da internet.
A palavra também foi a porta de entrada de cenários de horror, através de ditadores como Adolf Hitler, por exemplo.
Atualmente os meios de comunicação deixaram de ser instrumentos libertários para serem de alienação.
Transformam em paliativo da dor, do sofrimento e das tristezas.
Já não há porque lutar, pois existem “essas almas nobres que tudo fazem” basta que as eleja. Não é preciso pensar muito, o importante é votar.
Voto útil, com certeza. Longe de ser contra a caridade, mas se esses “heróis” são tão importantes, racionalmente não vote neles.
Os deixem como apresentadores/locutores, pois terão mais tempo para fazer mais e, enquanto isso, escolham com cuidado pessoas que sejam iguais a você, que tenham as mesmas necessidades.
Assim, é votar com inteligência deixando os apresentadores serem apresentadores e os representantes do povo, serem pessoas do povo.
Para se identificar quem é do povo é muito simples, basta olhar quem está ao seu lado, pega diariamente ônibus para ir ao trabalho, vive o mesmo ambiente social e se encontra integrado às causas e lutas comunitárias.
Não importa se tem dinheiro, estudo, ou se descende das famílias tradicionais, muito menos se fala bonito, tem programa de rádio, TV. Nada disso, basta que seja uma pessoa que tenha motivos justos e competência para lutar pela melhoria da qualidade de vida das pessoas como um direito, não como “doação” ou favor.
É importante, essencial que eleja um Prefeito (a) comprometido com as causas populares, por isso, cuidado com aqueles que fazem do instrumento de comunicação, um equipamento para a promoção pessoal e o culto a personalidade.
A PALAVRA QUE CURA, TAMBÉM PODE SER AQUELA QUE ALIENA, QUE ESCRAVIZA E ETERNIZA UM ESTADO INJUSTO CONTRA A MAIORIA DA POPULAÇÃO.
Hilda Suzana Veiga Settineri

DIRETO DE MATO GROSSO

Atualizado em 29 de Janeiro de 2011

MPF denuncia 28 por desvio de R$ 3 milhões da Funasa

PESCADO DO REPORTER MT
DA REDAÇÃO

O Ministério Público Federal(MPF), através do procurador Mário Lúcio de Avelar, denunciou 28 pessoas por crime de formação de quadrilha, estelionato, peculato, crime de responsabilidade e fraude em licitações.

Entre os denunciados estão políticos, empresários, servidores públicos e lobistas, acusados de desviarem R$ 3 milhões da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Na lista de denunciados constam desde servidores públicos, empresários, ex-dirigentes do PMDB de Mato Grosso como Carlos Miranda, Rafael Bastos e José Gomes Bezerra, sobrinho do deputado federal diplomado Carlos Bezerra, os ex-prefeitos Eduardo Belmiro e Faustino Dias Neto (de Santo Antônio do Leverger) e o "aloprado" Valdebran Padilha, que ficou conhecido em 2006 por tentar vender ao PT, um dossiê contra chefes do PSDB.

O esquema todo montado em base política, indicava pessoas para cargos de confiança na Funasa que já vinham com as ordens de como agir no desvio dos recursos.

Na base empresarial, os contratados davam sustentação para a operação de desvio. Aí são citados Ronilton Souza Carlos, diretor do Instituto Creatio, e os irmãos Valdebran e Waldemir Padilha acusados como lobistas.

Operação Hygeia - Teve início em 2006, quando a Polícia Federal apurou crimes de fraude na contratação e execução de obras no município de Santo Antônio do Leverger, com recursos do Fundo Nacional de Saúde e da Oscip Instituto Creatio.

Em 2008, a PF começou investigar crimes praticados na Coordenação Regional da Fundação Nacional da Saúde de Mato Grosso.

Em 2010 foram expedidos 35 mandados de prisão temporária e outras dezenas de busca e apreensão e sequestro de bens.

Denunciados:

01. Ronilton Souza Carlos
02. Valdebran Carlos Padilha Silva
03. Waldemir José Padilha Silva
04. Kurt Luiz Matte
05. Faustino Dias Neto
06. Eduardo Belmiro da Silva
07. Luciano de Carvalho Mesquita
08. Carlos Roberto Ribeiro de Miranda
09. José Luis Gomes Bezerra
10. Marco Antônio Sangherlin
11. Evandro Vitório
12. Rafael Bello Bastos
13. Paulo Félix Castro de Almeida
14. José Maurício da Silva
15. Antonio da Silva Campos
16. Benisvaldo Teixeira Lopes
17. Lucilo Cabral da Silva
18. Júlio Cesar Moreira Silva Junior
19. Manoel de Jesus Martins
20. Odil Benedito Antunes do Nascimento
21. Ney Macario da Silva
22. Antonio Pedroso
23. Claudison Jorge de Lima
24. Claudio Jesus de Amorim
25. Jone Marcos da Costa Silva
26. João Mário de Arruda Adrião
27. Dalva Divina de Miranda
28. Henriete Ines Carvalho Silva Albuquerque

(Com Assessoria)

“Não existe isso de imparcialidade”

por Alisson Almeida - extraído de e-mail pelos GUERRILHEIROS VIRTU@IS.


Após discorrer sobre as redes sociais e a dispersão da identidade, Nicolelis afirmou que a ideia da “imparcialidade”, tanto jornalística quanto científica, não passa de “balela”. “Como neurocientistas, estamos cansados de saber que não existe isso de imparcialidade, como pretendem os jornalistas. Não existe imparcialidade nem jornalística nem científica”.

Para comprovar sua sentença, relembrou a cobertura midiática das eleições presidenciais do ano passado, quando a imprensa tradicional, mesmo se dizendo “imparcial”, se alinhou à candidatura do candidato do PSDB/DEM, o ex-governador de São Paulo José Serra.

“O que aconteceu no Brasil na eleição passada foi a demonstração da falácia de certos meios de imprensa e do partidarismo que invadiu essa opinião dita imparcial. Mas o desmentido só ocorreu nesse lugar capilarizado chamado blogosfera. A guerra da informação foi travada aí. A eleição foi ganha na trincheira da blogosfera, porque os desmentidos eram instantâneos”, comentou.

Nicolelis defendeu que a “teia” – termo que disse preferir usar para se referir às redes sociais – que está se formando no Brasil “é um fenômeno mundial de relevância fundamental”. Para ele, a blogosfera teve um papel de destaque nas eleições de 2010.

“Essa teia já ganhou uma eleição do ponto de vista da informação, já derrotou o exército de uma mídia que tem opinião, mas que exerceu essa opinião sem dizer. Aí é que tá o engodo. A opinião é legítima, mas esconder que tem opinião não é”.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Por que o Blog da Dilma pede seu apoio financeiro?

O Blog da Dilma nunca recebeu nenhum centavo dos Dirigentes do Partido dos Trabalhadores para se manter no ar. Gastamos mais de R$ 50 mil com a estrutura do portal, dinheiro doado por simpatizante do do Blog da Dilma. Em 2009 e 2010, o Blog da Dilma foi vencedor pelo TOP BLOG, maior concurso de blogs do Brasil, na cateegoria política, o melhor blog do país. Recetemente, recebemos diversos convites para participar encontros e eventos no Brasil e Exterior, como o Aniversário do Partido dos Trabalhadores em Brasília, próximo dia 10 de fevereiro, Encontro do PT em Londres(Inglaterra), Encontro Latinoamericano em Cuba, Encontro de Blogueiros em Cuiabá e outros. O Editor geral do Blog da Dilma, Daniel Pearl Bezerra é um simples funcionário público e não tem grana suficiente para bancar todos esses compromissos sozinho. Conclamamos todos os amigos e amigas do Blog da Dilma para contribuir financeiramente com as despesas de passagens e hospedagens do editor geral do portal. Qualquer valor será importante. Deposite na Conta 40547-7, Agência 0675-0 em nome de Lucas Silva de Oliveira - Banco do Brasil(001). Maiores informações: Daniel Pearl Bezerra - Fone: 85-81629695(Operadora Vivo) ou E-mail: blogdadilma13@gmail.com

PT mantém site de Dilma ativo

Parece que o jornal Estadão não tem o que fazer. O jornal do PIG tenta criar factóides para uma nova crise na internet. Seu candidato(José Serra), que deixou um grande romba nas finanças do Governo do Estado de São Paulo, o Estadão se cala. Por que???
Três meses depois do fim das eleições, o aparato da campanha de Dilma Rousseff na internet continua em atividade. O site da então candidata (www.dilma.com.br) recebe atualizações diárias e divulga atividades de Dilma na Presidência. A maioria dos textos reproduz o conteúdo do Blog do Planalto - fonte oficial de notícias do governo.
Procurada pelo Estado, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) informou que não tem responsabilidade pelo antigo site de campanha e que o material divulgado no Blog do Planalto pode ser usado por qualquer veículo de comunicação.
A agência Pepper, responsável pela estratégia de comunicação da campanha de Dilma, afirmou que mantém o site por ordem do PT. A empresa disse que só o partido poderia divulgar o valor do contrato.
O secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PT-PR), afirmou que o site não está sob o controle de nenhuma empresa. "A página é administrada por uma equipe de jornalistas do PT." A página foi mantida, segundo ele, para manter "uma boa relação com o internauta".
Integrantes da campanha presidencial petista foram incorporados à estrutura do Planalto - como a jornalista Helena Chagas, que coordenou a comunicação da campanha e agora assumiu a Secom. Fonte: Estadão.

A podridão da Rede Globo

Milhares de internautas que acessam o Blog da Dilma repudiam a emissora da Família Marinho, a Rede Globo. Não podemos deixar de publicar as críticas do companheiro João Benedito(E-mail: josersilva.bj@bol.com.br) contra a Venus de Platina.
"Há um momento em que os literatos e os intelectuais verdadeiros do Brasil vão interferir e denunciar a podridão da Rede Globo. A máscara desses traidores e falsos intelectuais da cultura brasileira, tipo Pedro Bial e Arnaldo Jabor vai cair por terra. A Rede Globo é uma grande incentivadora do analfabetismo no Brasil. A Crônica do escritor Luís Fernando Veríssimo é uma verdadeira realidade do que está acontecendo com a Cultura brasileira. E, se as autoridades brasileiras não tomarem providências, futuramente o Brasil será uma sociedade de delinquentes analfabetos e maníacos sexuais e nada mais."

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

COMO ESCOLHER SEUS CANDIDATOS A PREFEITO – PARTE I




A feudalística idéia de que bons governantes serão aqueles com experiência afasta o novo. A democrática concepção de alternância de pessoas para oxigenar o processo democrático e permitir a todos a condição de contribuir com a sociedade, encontra-se refém de domínios construídos ao longo do tempo pela alienação, pelo poder econômico e pela estrutura burocrática e legal que teimosamente protege grupos e pessoas que dinasticamente exercem o controle de partidos políticos.
Repare bem quem são os pré-candidatos que estão se lançando em Cuiabá: empresário sem nenhuma tradição com as causas comunitárias; apresentador de TV e dono de construtora e de hospital.
Hoje, vamos falar de empresário que fatura alto, tem fama de grande administrador e nenhuma tradição em responsabilidade social.
Na sociedade moderna o capitalismo selvagem vem perdendo espaço para atividades de empresas conectadas as causas e soluções da região de sua atuação devolvem parte dos seus lucros na forma de benefícios para a coletividade incidindo principalmente na qualidade de vida.
Nesse diapasão não se almeja nenhuma forma de publicidade, propaganda ou vantagem direta por essa iniciativa.
Sendo pessoas com tantos interesses particulares e em nenhum outro momento ter dado nada a comunidade, há que se pensar: Porque justo agora na administração pública esta pessoa iria olhar os mais necessitados e as causas sociais?
Quais seriam os interesses que permitiriam “sacrificar” suas atividades para “doar-se” a administrar um município?
“Puro idealismo”!!!!. Acredite se quiser.
Ao que parece a classe que detém os meios de produção, o capital, agora quer também exercer o controle político, mesmo que para isso, preciso transmutar-se permanentemente ora com um grupo político partidário, ora com outro, sempre buscando aquele que lhe é mais vantajoso. Na próxima eleição com quem estarás?

Hilda Suzana Veiga Settineri

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ESSA TAL DE (I)MORALIDADE




Sei que pode ser tema até recorrente.
Principalmente aqueles tão habitues dessas práticas não gostam que se discuta moral, civilidade, dignidade, é começar a falar e surge aquele “iii” de novo. São tantos “is” que alguns já procuraram legalizar o imoral.
O que o Supremo Tribunal Federal vai julgar a visão caolha das Assembléias Legislativas e governos estaduais que “bondosamente” se dispuseram a cumprir com tanta eficácia e efetividade jamais atingidas em outras áreas da atividade pública.
Há que se perguntar também onde andavam os representantes do Ministério Público na sua missão de defender a sociedade.
Acredito que essa vocação deriva do espírito monarquista que inconscientemente busca carrear para cada atividade a “aura” da vitaliciedade.
Basta ter sido para ter direito e não há necessidade de merecimento, de contribuição, de doação.
Quantas “viúvas”, quantas “famílias” os cofres públicos estão sangrando para pagar? Afinal, quais são as atividades públicas que pagam essas “graciosas” aposentadorias e pensões?
Quem são os beneficiários? Porque os políticos se calam e não condenam? Obviedade.
Amanhã ou depois eles podem ser beneficiados.
A desfaçatez é tanta que várias dessas “figurinhas” se arvoraram nas últimas eleições como estandarte da moralidade, da transparência e da lisura.
Mas, a natureza é sábia e com o primeiro sopro do vento a “peruca” cai.
Espero, se não for sonhar demais, que os deputados e senadores tenham a ousadia de propor leis que sejam explícitas dizendo que aposentadoria será proporcional à contribuição e que o ocupante de cargo público, em qualquer esfera, deve pedir a suspensão de pagamentos enquanto estiver na função, evitando a duplicidade de vencimentos.
A atividade pública deve ser exclusiva, inclusive, na remuneração.
Se a Autoridade recebe algum benefício originado dos cofres públicos, deve ser único.
Não importa de que esfera ou de que Poder.
Nunca se sabe o resultado que pode ter a decisão do Supremo Tribunal Federal, nem se determinará que a decisão retroaja e que os cofres públicos sejam ressarcidos. Mas, enquanto não se pronuncia a Suprema Corte, vamos sendo vítimas da vitaliciedade, hereditariedade e de tantas outras maldades que se fazem contra o cidadão comum sob estranhos rótulos de legalidade.

Hilda Suzana Veiga Settineri

A hora delas

Por Marcela Valente, da IPS
Buenos Aires, Argentina, 26/1/2011 – O alto nível de aprovação de seus antecessores no cargo preparou o caminho para a Presidência. Agora, Dilma Rousseff e Cristina Fernández enfrentam o desafio de governar os dois maiores países do Mercosul e que são fundamentais para a integração latino-americana.
A posse de Dilma, no dia 1º, formou a dupla com Cristina, no governo argentino desde dezembro de 2007, para mostrar as qualidades da liderança feminina, de avançar para a igualdade de gênero e aprofundar a democracia em uma região tradicionalmente machista.
“Ambas devem enfrentar o desafio de serem quem são, e, ao mesmo tempo, competirem com seus antecessores, dois líderes de peso”, disse à IPS a brasileira Monica Hirst, especialista em política da Universidade Torcuato Di Tella, da Argentina.
Suas trajetórias são diferentes, mas o desafio as une. Tanto Cristina, da ala centro-esquerda do Partido Justicialista (peronista), quanto Dilma, do esquerdista Partido dos Trabalhadores, foram precedidas por presidentes que encerraram seus mandatos com altíssima popularidade e foram escolhidas como suas sucessoras.
Essa circunstância que lhes facilitou o triunfo eleitoral agora as força a manter e expandir os êxitos da gestão anterior, enfrentar os novos problemas que surgirem e fazer tudo isso sob a sombra do sucesso obtido por dois líderes muito populares.
Néstor Kirchner, marido de Cristina que faleceu em outubro do ano passado aos 60 anos, culminou seu governo com 70% de popularidade, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu um recorde brasileiro, com 87% de aprovação ao término de seus dois mandatos consecutivos de quatro anos cada um.
Dilma disse isso ao assumir. Lula foi “o maior líder popular” do Brasil e “a tarefa de sucedê-lo será um desafio”. Ela prometeu honrar o legado e a ousadia de Lula, que “tornou possível” pela primeira vez uma mulher chegar à Presidência brasileira.
Agora, ambas estão sozinhas em cena. Elas marcam o rumo, decidem as políticas, escolhem colaboradores. Se fizerem um bom governo, haverá outras. Dilma antecipou isso: “vim abrir portas, para que muitas mulheres no futuro possam ser presidentas”.
No dia 31, as duas se reunirão em Buenos Aires durante a primeira viagem de Dilma ao exterior. Então, a imagem das duas presidentes juntas começará a ser um fato mais natural do que excepcional.
Para a especialista argentina Natalia Gherardi, as presidências femininas nos dois maiores países sócios do Mercosul (que se completa com Paraguai, Uruguai e Venezuela, esta em processo de adesão plena) é “uma excelente oportunidade de mostrar qualidades da liderança feminina e trabalhar de forma coordenada para avançar na agenda das mulheres”.
Porém, Natalia alertou que, para haver essa articulação, primeiro deve existir uma política de gênero consistente em cada um dos países, e, nesse sentido, considerou que é muito o que cada um deveria fazer para “erradicar estereótipos que ainda são muitos e bastante arraigados”.
Com 233 milhões de pessoas nos dois países, Brasil e Argentina abrigam 60% da população sul-americana e ocupam 62% da superfície. Sem dúvidas, são as duas maiores economias da região.
A chegada de Dilma e Cristina ao governo pode ajudar para a igualdade social e de gênero, para aprofundar a democracia e colocar em xeque o estereótipo do machismo latino-americano, que começa a mostrar algumas rachaduras, disse Natalia, diretora da Equipe Latino-Americana de Justiça e Gênero.
Elas estão conscientes desta expectativa que pesa sobre suas administrações.
Ao saber da vitória de Dilma no segundo turno, Cristina lhe telefonou para cumprimentá-la. “Bem-vinda ao clube de companheiras de gênero”, disse, destacando a importância da eleição de sua colega brasileira. Cristina sabe disto por experiência. Dilma deverá lidar com preconceitos já clássicos. Se uma mulher governante é vaidosa pode ser taxada de frívola, se tem um tom suave pode ser considerada fraca, e se sua voz é firme será a “dama de ferro”.
Nisso, as novas presidentes poderão acumular um longo anedotário. No caso de Cristina, costuma-se criticar seu excesso de zelo com sua aparência pessoal e quanto a Dilma tenta-se rebaixá-la por agir de maneira contrária.
As trajetórias de uma e outra são diferentes, mesmo quando apresentam elementos comuns. “Vêm de culturas políticas muito diferentes, mas penso que a diversidade soma mais do que a simbiose”, destacou Monica. Em sua opinião, “ambas têm antecedentes de luta pela democracia e uma preocupação com a necessidade de seus países de reforçar o que é a estrutura do Estado, as vantagens e amarras do aparato burocrático”, explicou.
Cristina chegou à Presidência após ter sido legisladora e depois deputada e senadora no Congresso Nacional. Nunca foi prefeita, governadora ou ministra.
Por sua vez, Dilma praticamente começou a trabalhar no Poder Executivo. Foi ministra de Minas e Energia do governo Lula e depois chefe da Casa Civil, um cargo a partir do qual se converteu rapidamente na mão direita do presidente.
Monica está convencida de que as relações entre os dois países se aprofundarão com as duas mulheres à frente dos respectivos governos. “São duas mulheres da mesma geração, com grande compromisso político e criarão uma química para trabalhar bem, sem competições pessoais, além das pautadas pela relação bilateral”, previu.
Para Monica, a coincidência “é positiva, porque representa um novo capítulo de inclusão, de avanço sobre a desigualdade e a discriminação do passado. É uma nova fase de civilização em nossos países”. Monica lamentou que a simultaneidade não tenha alcançado também a chilena Michelle Bachelet, que governou seu país entre 2006 e 2010 e agora está à frente da ONU Mulher, novo organismo especializado da Organização das Nações Unidas.
“É uma pena, seria fantástico um ‘ABC’ comandado por mulheres, talvez aconteça se Michelle voltar à Presidência”, disse Monica. Michelle, que também foi a primeira mulher a presidir o Chile, encerrou seu mandato com um nível de aprovação próximo ao de Lula. Foi essa popularidade que a fez merecedora da oferta de liderar o escritório da ONU, outro assento destacado no sistema político internacional ocupado por uma mulher sul-americana. (Envolverde/IPS)

Julian Assange responde à Blogosfera

Reproduzo, abaixo, a entrevista que o ciberativista australiano Julian Assange concedeu à jornalista Natalia Viana, que tem um blog hospedado no portal da revista Carta Capital e que propôs à blogosfera que estimulasse seus leitores a enviarem perguntas ao editor do Wikileaks. Leia as respostas de Assange às perguntas que a jornalista selecionou e lhe enviou.

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Vários internautas - O WikiLeaks tem trabalhado com veículos da grande mídia – aqui no Brasil, Folha e Globo, vistos por muita gente como tendo uma linha política de direita. Mas além da concentração da comunicação, muitas vezes a grande mídia tem interesses próprios. Não é um contra-senso trabalhar com eles se o objetivo é democratizar a informação? Por que não trabalhar com blogs e mídias alternativas?

Por conta de restrições de recursos ainda não temos condições de avaliar o trabalho de milhares de indivíduos de uma vez. Em vez disso, trabalhamos com grupos de jornalistas ou de pesquisadores de direitos humanos que têm uma audiência significativa. Muitas vezes isso inclui veículos de mídia estabelecidos; mas também trabalhamos com alguns jornalistas individuais, veículos alternativos e organizações de ativistas, conforme a situação demanda e os recursos permitem.

Uma das funções primordiais da imprensa é obrigar os governos a prestar contas sobre o que fazem. No caso do Brasil, que tem um governo de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita para um melhor escrutínio dos governantes. Em outros países, usamos a equação inversa. O ideal seria podermos trabalhar com um veículo governista e um de oposição.

Marcelo Salles – Na sua opinião, o que é mais perigoso para a democracia: a manipulação de informações por governos ou a manipulação de informações por oligopólios de mídia?

A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa, porque quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é forte, essa manipulação não se segura por muito tempo. Quando a própria mídia se afasta do seu papel crítico, não somente os governos deixam de prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e de seus donos permitem abusos por parte dos governos. O exemplo mais claro disso foi a Guerra do Iraque em 2003, alavancada pela grande mídia dos Estados Unidos.

Eduardo dos Anjos - Tenho acompanhado os vazamentos publicados pela sua ONG e até agora não encontrei nada que fosse relevante, me parece que é muito barulho por nada. Por que tanta gente ao mesmo tempo resolveu confiar em você? E por que devemos confiar em você?

O WikiLeaks tem uma história de quatro anos publicando documentos. Nesse período, até onde sabemos, nunca atestamos ser verdadeiro um documento falso. Além disso, nenhuma organização jamais nos acusou disso. Temos um histórico ilibado na distinção entre documentos verdadeiros e falsos, mas nós somos, é claro, apenas humanos e podemos um dia cometer um erro. No entanto até o momento temos o melhor histórico do mercado e queremos trabalhar duro para manter essa boa reputação.

Diferente de outras organizações de mídia que não têm padrões claros sobre o que vão aceitar e o que vão rejeitar, o WikiLeaks tem uma definição clara que permite às nossas fontes saber com segurança se vamos ou não publicar o seu material.

Aceitamos vazamentos de relevância diplomática, ética ou histórica, que sejam documentos oficiais classificados ou documentos suprimidos por alguma ordem judicial.

Vários internautas - Que tipo de mudança concreta pode acontecer como consequência do fenômeno Wikileaks nas práticas governamentais e empresariais? Pode haver uma mudança na relação de poder entre essas esferas e o público?

James Madison, que elaborou a Constituição americana, dizia que o conhecimento sempre irá governar sobre a ignorância. Então as pessoas que pretendem ser mestras de si mesmas têm de ter o poder que o conhecimento traz. Essa filosofia de Madison, que combina a esfera do conhecimento com a esfera da distribuição do poder, mostra as mudanças que acontecem quando o conhecimento é democratizado.

Os Estados e as megacorporações mantêm seu poder sobre o pensamento individual ao negar informação aos indivíduos. É esse vácuo de conhecimento que delineia quem são os mais poderosos dentro de um governo e quem são os mais poderosos dentro de uma corporação.

Assim, o livre fluxo de conhecimento de grupos poderosos para grupos ou indivíduos menos poderosos é também um fluxo de poder, e portanto uma força equalizadora e democratizante na sociedade.

Marcelo Träsel - Após o Cablegate, o Wikileaks ganhou muito poder. Declarações suas sobre futuros vazamentos já influenciaram a bolsa de valores e provavelmente influenciam a política dos países citados nesses alertas. Ao se tornar ele mesmo um poder, o Wikileaks não deveria criar mecanismos de auto-vigilância e auto-responsabilização frente à opinião pública mundial?

O WikiLeaks é uma das organizações globais mais responsáveis que existem.

Prestamos muito mais contas ao público do que governos nacionais, porque todo fruto do nosso trabalho é público. Somos uma organização essencialmente pública; não fazemos nada que não contribua para levar informação às pessoas.

O WikiLeaks é financiado pelo público, semana a semana, e assim eles “votam” com as suas carteiras.

Além disso, as fontes entregam documentos porque acreditam que nós vamos protegê-las e também vamos conseguir o maior impacto possível. Se em algum momento acharem que isso não é verdade, ou que estamos agindo de maneira antiética, as colaborações vão cessar.
O WikiLeaks é apoiado e defendido por milhares de pessoas generosas que oferecem voluntariamente o seu tempo, suas habilidades e seus recursos em nossa defesa. Dessa maneira elas também “votam” por nós todos os dias.

Daniel Ikenaga - Como você define o que deve ser um dado sigiloso?

Nós sempre ouvimos essa pergunta. Mas é melhor reformular da seguinte maneira: “quem deve ser obrigado por um Estado a esconder certo tipo de informação do resto da população?”

A resposta é clara: nem todo mundo no mundo e nem todas as pessoas em uma determinada posição. Assim, o seu medico deve ser responsável por manter a confidencialidade sobre seus dados na maioria das circunstâncias – mas não em todas.

Vários internautas - Em declarações ao Estado de São Paulo, você disse que pretendia usar o Brasil como uma das bases de atuação do WikiLeaks. Quais os planos futuros? Se o governo brasileiro te oferecesse asilo político, você aceitaria?

Eu ficaria, é claro, lisonjeado se o Brasil oferecesse ao meu pessoal e a mim asilo político. Nós temos grande apoio do público brasileiro. Com base nisso e na característica independente do Brasil em relação a outros países, decidimos expandir nossa presença no país. Infelizmente eu, no momento, estou sob prisão domiciliar no inverno frio de Norfolk, na Inglaterra, e não posso me mudar para o belo e quente Brasil.

Vários internautas - Você teme pela sua vida? Há algum mecanismo de proteção especial para você? Caso venha a ser assassinado, o que vai acontecer com o WikiLeaks?

Nós estamos determinados a continuar a despeito das muitas ameaças que sofremos. Acreditamos profundamente na nossa missão e não nos intimidamos nem vamos nos intimidar pelas forças que estão contra nós.

Minha maior proteção é a ineficácia das ações contra mim. Por exemplo, quando eu estava recentemente na prisão por cerca de dez dias, as publicações de documentos continuaram.

Além disso, nós também distribuímos cópias do material que ainda não foi publicado por todo o mundo, então não é possível impedir as futuras publicações do WikiLeaks atacando o nosso pessoal.

Helena Vieira - Na sua opinião, qual a principal revelação do Cablegate? A sua visão de mundo, suas opiniões sobre nossa atual realidade mudou com as informações a que você teve acesso?

O Cablegate cobre quase todos os maiores acontecimentos, públicos e privados, de todos os países do mundo – então há muitas revelações importantíssimas, dependendo de onde você vive. A maioria dessas revelações ainda está por vir.

Mas, se eu tiver que escolher um só telegrama, entre os poucos que eu li até agora – tendo em mente que são 250 mil – seria aquele que pede aos diplomatas americanos obter senhas, DNAs, números de cartões de crédito e números dos vôos de funcionários de diversas organizações – entre elas a ONU.

Esse telegrama mostra uma ordem da CIA e da Agência de Segurança Nacional aos diplomatas americanos, revelando uma zona sombria no vasto aparato secreto de obtenção de inteligência pelos EUA.

Tarcísio Mender e Maiko Rafael Spiess - Apesar de o WikiLeaks ter abalado as relações internacionais, o que acha da Time ter eleito Mark Zuckerberg o homem do ano? Não seria um paradoxo, você ser o “criminoso do ano”, enquanto Mark Zuckerberg é aplaudido e laureado?

A revista Time pode, claro, dar esse título a quem ela quiser. Mas para mim foi mais importante o fato de que o público votou em mim numa proporção vinte vezes maior do que no candidato escolhido pelo editor da Time. Eu ganhei o voto das pessoas, e não o voto das empresas de mídia multinacionais. Isso me parece correto.

Também gostei do que disse (o programa humorístico da TV americana) Saturday Night Live sobre a situação: “Eu te dou informações privadas sobre corporações de graça e sou um vilão. Mark Zuckerberg dá as suas informações privadas para corporações por dinheiro – e ele é o ‘Homem do Ano’.”

Nos bastidores, claro, as coisas foram mais interessantes, com a facção pró- Assange dentro da revista Time sendo apaziguada por uma capa bastante impressionante na edição de 13 de dezembro, o que abriu o caminho para a escolha conservadora de Zuckerberg algumas semanas depois.

Vinícius Juberte - Você se considera um homem de esquerda?

Eu vejo que há pessoas boas nos dois lados da política e definitivamente há pessoas más nos dois lados. Eu costumo procurar as pessoas boas e trabalhar por uma causa comum.

Agora, independente da tendência política, vejo que os políticos que deveriam controlar as agências de segurança e serviços secretos acabam, depois de eleitos, sendo gradualmente capturados e se tornando obedientes a eles.

Enquanto houver desequilíbrio de poder entre as pessoas e os governantes, nós estaremos do lado das pessoas.

Isso é geralmente associado com a retórica da esquerda, o que dá margem à visão de que somos uma organização exclusivamente de esquerda. Não é correto. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e justiça – e isso se encontra em muitos lugares e tendências.

Ariely Barata - Hollywood divulgou que fará um filme sobre sua trajetória. Qual sua opinião sobre isso?

Hollywood pode produzir muitos filmes sobre o WikiLeaks, já que quase uma dúzia de livros está para ser publicada. Eu não estou envolvido em nenhuma produção de filme no momento.

Mas se nós vendermos os direitos de produção, eu vou exigir que meu papel seja feito pelo Will Smith. O nosso porta-voz, Kristinn Hrafnsson, seria interpretado por Samuel L Jackson, e a minha bela assistente por Halle Berry. E o filme poderia se chamar “WikiLeaks Filme Noire”.

Pescado do Cidadania, do Eduardo Guimarães.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

História do PT – sua contribuição na visa social e política do Brasil

Transcrição da palestra proferida pelo psicanalista e militante petista, Valton Miranda, no dia 22 de janeiro de 2011, durante reunião do mandato do vereador Guilherme Sampaio de formação e debate político, no Hotel Sonata de Iracema em Fortaleza-CE.
“Bom dia pra todos e pra todas…
Bom dia para os que estão ouvindo pelo twitter
Bom, eu gostei muito de ouvir o Bruno porque vai me permitir fazer um sobrevoo um pouco diferenciado, pela natureza do que eu vou falar. A primeira coisa que nós devemos entender hoje é que estamos num contexto mundial adverso ao socialismo. Isso não é de agora. Na verdade, o sistema do capital vem avançando cada vez mais em todo o mundo e esse avanço se dá nessa ascensão extraordinária dos milionários, ultra bilionários sobre os pobres. Enquanto o mundo, os milionários e bilionários crescem para uma concentração mínima (quinhentos ultra bilionários, dois milhões de bilionários), a pobreza aumenta de uma maneira extraordinária, ou seja, enquanto a pobreza aumenta em proporção geométrica, a riqueza concentrada aumenta numa proporção completamente diferente. Então, nós temos no mundo hoje uma situação que é adversa por várias razões – não vou entrar mais em detalhes sobre a queda do socialismo real, pois vocês já conhecem isso, mas vou dizer que há hoje este avanço do neoliberalismo. O neoliberalismo é uma concepção econômica, política que pretende estabelecer uma superação das fronteiras nacionais, um mercado absolutamente dominador e absoluto e, ao lado disso, uma tendência a diminuir ou desfazer todos os avanços sociais e todas as garantias sindicais, e todas as garantias que tinham sido conquistadas até então.
Esse grande avanço da perspectiva do capitalismo sofreu também uma grande derrota na atualidade com o colapso do neoliberalismo. Esse colapso foi grandioso e continua… Continua, na medida em que, eles não têm mais os mesmos instrumentos que tinham antes para lidar com os outros países da forma como vinham lidando. Não há mais como o carro-chefe do capitalismo mundial manter a mesma diapasão porque os Estados Unidos estão em crise e estão num processo de declínio enquanto cresce a economia chinesa. Isso é algo que está acontecendo há passos largos e nos dá uma brecha extraordinária para que possamos combater o capitalismo. Vejam bem uma coisa: nós precisamos definir claramente o que é socialismo. Socialismo não é simplesmente uma palavra retórica. Socialismo significa que estrategicamente nós queremos a derrota do capitalismo. Se isso vai acontecer na prática ou não, não importa. Mas, a nossa estratégia é derrotar o sistema do capital. Em todo lugar que nós possamos atuar para derrotá-lo politicamente, nós devemos fazê-lo. Então, vejam bem uma coisa: essa questão estratégica, ou seja, para o socialismo ela continua sendo o elemento fundamental do ponto de vista político, na perspectiva de poder. Porque, então, falar em socialismo? O que é socialismo? Socialismo é estrategicamente a derrota do capitalismo. Não há como fazer um socialismo que não contemple derrotar o capitalismo.
Essa é a questão estratégica. Agora, dentro deste contexto, nós temos todo um desenvolvimento que passa da ideia (que o Bruno tocou aqui) do socialismo utópico para o socialismo científico. E o socialismo científico significa o quê? Significa que lutamos pelo domínio, pela posse social dos meios de produção. Os meios de produção devem ser apossados socialmente. Devem sair das mãos das grandes oligarquias, dos grandes oligopólios capitalistas e serem apossados pela população. É essa a ideia do socialismo. E socialismo também contempla a ideia de transformação revolucionária, ou seja, há uma luta de classes (sindicatos, partidos, etc) em busca desse fim. E essa luta de classes significa que a classe desprivilegiada, o operariado, vai lutar, dentro do seu partido, para alcançar o objetivo de ganhar a posse dos meios de produção. Para isso, é preciso ter um, ou mais partidos, que lutam pelo poder segundo uma determinada visão. Essa visão até um certo momento era assim: o socialismo é alcançado por uma natural deterioração do sistema capitalista. Hoje nós sabemos que isto não existe. Ou lutamos, ou não alcançamos. O socialismo não virá por uma dinâmica de deterioração própria do sistema capitalista. Só virá através da luta. A revolução hoje pode ser entendida como luta de um conjunto da sociedade para tomar o poder e fazer aquilo que deve ser feito para que estes objetivos socialistas sejam alcançados. Portanto, eu estou dizendo é que socialismo não é uma palavra retórica. É uma práxis política que precisa alcançar determinados objetivos econômicos num determinado espaço, num determinado país, num determinado tempo histórico.
Bom, aí você diz assim: o que isso tudo tem a ver com o PT? Tem tudo a ver com a esquerda socialista e o PT. Os partidos socialistas no mundo estão em declínio. Os partidos socialistas se transformaram em partidos social-democratas, e pior do que isto, se transformaram em partidos puramente eleitoreiros, sem nenhuma convicção ideológica. E isso que acontece no mundo inteiro, será que contaminou a esquerda brasileira e o PT? Essa é uma questão nós devemos situar, nós devemos colocar. Vejamos uma coisa. O PT começa sua trajetória, uma trajetória brilhante, de luta contra a ditadura militar – não só o PT como todos os partidos de esquerda (outros partidos como o PSB, que eu ajudei a fundar nacionalmente), começam esta luta contra a ditadura. A ditadura tinha os seus teóricos. Um dos grandes teóricos da ditadura foi o General Golbery do Couto e Silva, apelidado “O Bruxo”. E o Golbery sabia o que fazia. O Bruno tocou neste ponto aí, né. De repente eles mudavam de tática. Aquilo ali vinha da cabeça de um indivíduo que tinha um gênio político extraordinário, que era o Golbery. Então, os outros apenas operacionalizavam o que o plano geral do sistema colocava. É dentro deste contexto que nasce o PT em 1980, em São Paulo, e o marco é o Colégio Sion, sob a liderança do Lula. Aí, o PT começa a traçar a sua dinâmica de atuação. Se coloca como um partido contrário a burguesia brasileira, se coloca como um partido radical, se coloca como um partido ideológico, se coloca como um partido que trava a luta de classes, se coloca dentro de toda esta perspectiva como um partido que atrai, fascina pelo que faz. Fascina muito intelectuais de classe média e principalmente gente das universidades. Não só o sindicalismo numa ponta mas também os intelectuais na outra ponta. Um setor muito educado das universidades é atraído pelo PT, como igualmente um setor da Igreja, nas comunidades eclesiais de base. Esses setores, radicalizados, colocam o PT num determinado rumo. É bom lembrar que o PT não assinou a Constituição de 88 porque achava que esta Constituição era atrasada. É bom lembrar que o PT não participou do Colégio Eleitoral, porque achava que aquele colégio era espúrio (como de fato era). Então, o PT está no seu nascedouro dentro desta radicalidade, dentro de uma visão ideológica, dentro de uma visão de classe. E o PT pretendia a transformação revolucionária da sociedade. Não pelas armas, mas pelo voto, pelo caminho da participação, pelo caminho da pressão sobre a sociedade elitista brasileira como um todo. Agora, aí, meus amigos, nós vamos ver uma coisa: o PT mudou. A esquerda mudou. Será que essa mudança significa o abandono do ideal socialista? Essa é a questão que nós devemos nos colocar porque, eu penso, como diz lá o André Singer no artigo dele que dentro de PT convivem duas almas. E estas duas almas estão tentando se encontrar. Eu creio que, nesta transição, nós precismos ver algumas coisas. O PT, a partir de um certo momento ele vai abandonar o aguerrimento de sua militância que é substituído por um pragmatismo militante. Ele vai abandonar o confronto classista que é substituído por uma conciliação classista. O PT vai, paulatinamente, abandonando determinados focos que são próprios da luta dentro da vertente socialista. Eu não estou dizendo que isto é próprio do PT. Eu estou tentando é aproximar, compreender o processo. Entender para que nós possamos fazer um melhor diagnóstico, uma melhor compreensão de tudo isso. Se o PT abandona o confronto de classe e substitui isso por uma conciliação, ele naturalmente tende a afrouxar ideologicamente, ele naturalmente tende a ser mais pragmático. A ser mais pragmático no sentido de que o voto passa a ser mais importante do que a ideia, a concepção de que o PT deveria ter uma postura radical (radical não é sectário, radical é ter uma postura em relação a determinadas coisas, por exemplo: a política de alianças. O PT, durante muito tempo, se recusou a fazer aliança com qualquer partido. Se recusava mesmo e quando pela primeira vez, naquela eleição do Brizola o PT fez uma aliança para eleger o Brizola houve uma intervenção no Rio de Janeiro, houve uma intervenção do Diretório Nacional do PT no Rio de Janeiro – e muita gente foi expulsa). Então, o PT mudou? Não, é que o PT passou a viver coexistindo com estas duas dimensões dentro do partido. Nós podemos chamá-las de uma dimensão mais à esquerda e um setor mais à direita. Isso coincide igualmente com a migração dos apoiadores do PT. Os apoiadores do PT também deixaram de ser os intelectuais de classe média, os indivíduos que, no sul e sudeste, ocupavam espaços dentro das universidades. Muita gente saiu e muita gente foi paulatinamente se esquivando de continuar no PT porque não considerava que ele fosse mais um partido socialista. Ou, pelo menos, que buscasse metas socialistas. Muita gente passou para PSOL, PSTU, etc. E, no meu modo de ver, esses partidos, na verdade, eles fazem uma coisa esquemática, transformam a política num esquematismo que não condiz com a realidade social. Ou seja, muita coisa (e eu creio que até honestamente) esses partidos pretendem, mas acabam desconhecendo a realidade social e política. Então, os apoiadores do PT caíram muito para a classe média média, os intelectuais de grande monta foram se colocando em outras posições e a crítica ao PT começou a ser feita a partir de ex-integrantes do PT, de uma maneira contundente. Muitas dessas críticas são corretas. Da perspectiva da compreensão do socialismo. Agora, será que num contexto tão adverso como nós temos no mundo e como existe no Brasil é possível manter um partido com as características que o PT tinha na sua primeira fase? Essa é uma pergunta que nós temos que fazer porque na medida que o PT amplia a sua política de alianças, ele também coloca toda uma nova dimensão no seu funcionamento político. E essa nova dimensão coincide com um caminho mais à direita onde a tolerância a determinadas alianças às vezes chega a certos exageros, como aconteceu em Belo Horizonte com o PT fazendo uma aliança com o PSDB. Lembro que Aécio Neves disse que não há mais lugar para esse tipo visão esquerda-direita, portanto, somos todos iguais. Ora, se somos todos iguais para que existir os partidos que se colocam numa perspectiva ideológica, que tenham uma visão socialista, se somos todos iguais?
A ausência da crítica, nesse momento, passa a ser uma coisa terrível para o partido. Eu creio que existem algumas questões que estão relacionadas com este processo. Algumas questões que têm a ver com a aproximação do PT ao poder (poder no sentido de governar, de repente o PT passa a governar estados, municípios e depois o país), mas tem a ver com a política de organização e tem a ver com o poder e tem a ver com o Lula. Então, nós temos que tentar fazer esta compreensão no sentido de que a crítica seja feita de uma forma adequada. Quando eu falo de crítica é preciso entender a palavra crítica. O PT precisa ser criticado. A esquerda precisa ser criticada. E a crítica tem que ser feita para que o pensamento possa fluir e para que nós possamos ter um instrumental político usado de forma adequada. Assim, por exemplo, duas coisas se colocam, no meu modo de entender. A política de organização do PT e a ascensão do PT à Presidência da República. Estas duas situações são importantíssimas no meu modo de entender. Ora, o PT tem uma estrutura interna que, no meu entendimento, é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que é uma extraordinária demonstração de democracia interna, é um caminho sempre aberto para a inação. (…) o sistema de organização do PT é um caldo de cultura para a paranoia interna. Eu pensei que era só eu que pensava isso. Aí, de repente, o Cláudio me chama a atenção que em 1995, num Congresso do PT, há uma resolução dizendo que o PT deve deixar de ficar brigando internamente e olhar para seu adversário externo. Uma resolução do partido. Isso é paranoia. Você passa a brigar muito mais com a facção A, B ou C e não quer se importar com o inimigo político externo (eu pensei que isto… rapaz, o Valton está fazendo uma coisa extraordinária, que está denunciando essa maluquice, mas não… o próprio PT já tinha feito isso, em 95, uma resolução onde dizia que o partido não podia se esvair, o partido não podia – vamos dizer assim – afrouxar nessas brigas sem fim. Essas brigas são terríveis. Ora, o cara que é do – eu me recuso a aprender o nome dessas coisas – porque o cara da facção A não fala com o cara da facção B, que maluquice é essa, gente? Que diabo de doidice é essa? Quer dizer, você pode ter divergência de ponto de vista, você pode ter divergência de ideias, foco, e afirmar isso com força, mas não pode [eu tenho uma pequena divergência com meu amigo Bruno, que eu acho que no impeachment do Lula, impeachment ia ser feito mesmo, não aconteceu e o PT foi quem deu menos apoio, porque estava brigando feito um louco. O Palocci brigando com o Zé Dirceu.] E outras coisas mais dessa interminável paranoia interna. Então, essa crítica a gente tem que fazer… Aí, essa é a questão da política de organização. Eu não sou contra aqui que existam divergências, nem luta interna, de jeito nenhum, eu acho que isso é salutar. Agora, transformar isso numa situação que me impede a unidade num momento difícil, que impede que o partido se una como um todo, como um bloco. Porque, na verdade, o impeachment não foi feito porque o Lula chamou o generalzinho lá e disse: Olha, eu vou pro povo. E alguns setores do PT, naturalmente, né. Não foi só um, mas muitos setores do PT. Vocês não brinquem porque… nós levantamos esse país. Não brinquem com fogo. E aí, o “povinho” recuou, inclusive o nosso mui saudado general do PSDB do Ceará, o senhor Tasso Jereissati. (…) Muita gente passa a mão na cabeça dele, mas na verdade, esse cidadão, que teve uma importância muito grande no desenvolvimento da política no Ceará, mas ele precisa ser criticado no seu sectarismo de direita. Essa questão não pode passar em branco. A gente fica às vezes, achando… não… eu acho que o Tasso só fez bem ao Ceará… não… ele fez algumas coisas boas… mas ele é um sectário de direita. Nós não podemos ficar aí, caladinhos, e achar que isso não vale nada.
Bom, e há outra coisa. Na medida em que nos aproximamos do poder. É bom que a gente lembre que o Lula tinha perdido a eleição de 89 porque o PT se recusou a fazer aliança com o Ulisses, PMDB. Se recusou por achar o PMDB um partido fisiológico. E é… quem é que vai dizer que o PMDB não é um partido fisiológico? É um partido fisiológico, taí brigando, chantageando por cargo, mas nós temos que conviver com ele porque o PMDB hoje, do ponto de vista da política brasileira, da realidade brasileira é o seguinte: é como algumas mulheres dizem ruim com ele pior sem ele. (risos e observação da plateia de que os homens também dizem). Não, é lógico que os homens também dizem, mas eu estou usando só como metáfora. Então, é assim… essa é uma questão. Está fazendo chantagem mesmo, jogando para continuar na FUNASA, roubando… porque é roubo que fazem. Então, nós não temos como ficar simplesmente colocados diante disso de uma forma tranquila, como se nada estivesse acontecendo. E aí, temos que lhe dar com uma outra situação. Quando nos aproximamos da eleição de 2002, o que faz o PT? A “Carta aos Brasileiros”. Ora, por mais que nós (…) Aliás, a “Carta aos Brasileiros” não foi feita pelo PT, mas depois foi sancionada pelo PT num Encontro Nacional que houve um ano depois. A “Carta aos Brasileiros”, na verdade, é uma conciliação de classes. A “Carta aos Brasileiros”, na verdade é assim: nós não mexemos mais no superávit primário, nós vamos aceitar a estabilidade econômica proposta pelo sistema do capital, nós não mexemos mais nisso, nós não tocamos… ou seja, nós seremos, governando nós seremos adequados ao sistema capitalista. Ou seja, a partir desse momento, o PT se confunde com o governo, e aí é uma coisa muito ruim. O partido não pode se confundir com o governo. Partido não pode se confundir com o governo. No caso nosso, do PT, tem um atenuante é que o nosso líder maior é um mito. É um mito e um gênio. E aí, é difícil você lidar com um indivíduo nesse nível, do ponto de vista ideológico. Um indivíduo mitificado e, ao mesmo tempo, um indivíduo genial dentro da política. Mas, no momento em que nós sancionamos a “Carta aos Brasileiros”, nós sancionamos também um PT que substitui a luta de classes por um projeto popular. O que é projeto popular? Transferência de renda, etc, etc… Tudo bem… muito bem… muito bom… Mas, isso significa teórica e conceitualmente que nós saímos praticamente da faixa daquilo que no começo eu dizia que é a busca do socialismo. Nós saímos… não tem como. Não tem mágica. Ou a gente coloca as coisas nos lugares ou então, nós vamos continuar a lidar com isso de uma maneira meio evasiva. E se nós não queremos evasivas, nós temos que fazer a critica. E a crítica não é para destruir nada. Não é para dizer que o PT não presta pra nada. De jeito nenhum. O PT é um grande partido. Continua sendo um grande partido. E precisa dessa crítica. Agora, precisa trazer de volta os seus intelectuais. E não ter medo dos seus intelectuais. E não ficar com essa história que, inclusive, é algo nascido do próprio Lula. O Lula sempre teve dificuldade com intelectuais. Daí dificuldade com Chico Oliveira, daí dificuldade com outros grandes intelectuais petistas. Apesar de suas imensas qualidades, ele sempre teve dificuldade com intelectuais. Então, é dentro deste contexto que nós precismos ver a situação em que o PT vai avançado. Se em 2002 para 2006 o PT perdeu a maior parte dos seus apoiadores intelectuais é porque o partido fez um caminho que começou a ser desinteressante para esses intelectuais. Mas, na verdade, o partido ganhou outros apoiadores. Ganhou apoiadores principalmente na classe média mais abaixo e ganhou apoiadores no nível mais baixo do extrato social, principalmente no norte e nordeste. Porque o PT, se vocês se lembram, ele nasce com grande apoiadores no sul-sudeste. E isso é uma mudança que vem acontecendo. Os “idiotas” analistas, lá do sistema e da imprensa, vivem dizendo que é porque nós somos mais atrasados e ignorantes. E, portanto, é por isso que o PT ganha apoio nas classes menos educadas. Claro, que isso é uma bobagem e é uma tolice, e é um desconhecimento do processo porque, na verdade, a imprensa brasileira é, na sua grande maioria, uma imprensa de direita. Uma imprensa de direita e uma imprensa que está sempre favorecendo tudo aquilo que representa uma visão à direita.
Eu vou afunilando aqui para terminar. Eu acho que o drama do PT é, nesse momento, saber conciliar a sua relação com o poder, voltar a ser partido e não se misturar com o poder, lidar com o mercado sem se contaminar com ele, não se transformar em negociador mercantilizado, voltar à sua militância sem transforma sua militância em estruturas de aluguel. Isso é um desafio para o PT e não se misturar com os governos. Sejam eles na presidência ou no estado. Por exemplo, nós apoiamos o governo Cid. Mas, quando ele tem que ser criticado, tem que ser criticado. Essa besteira desse projeto que o Cid mandou aí, sobre o meio ambiente, tem que “meter o pau” nisso. E não tem isso não. Isso é política mesmo. E o Cid é muito esperto pra saber disso. E é bom lembrar que o Cid tem uma herança maldita. A herança do Tasso. É bom lembrar que essa herança é uma herança muito ruim em termos de personalismo. Então, eu digo isso (até o jornal O Povo um dia vai me botar pra fora, qualquer dia desse ele não me deixa mais escrever). Porque certamente eu vou dizer que esse tipo de personalismo na política é inaceitável. Ou entra dentro do contexto da aliança e aceita o debate dentro da aliança, e não fica com essas firulas personalísticas. A Dilma vai ter que ter um PT também nessa condição. Uma posição de saber se colocar diante do governo. De não se confundir com o governo. Foi isso o que aconteceu no nazismo. O partido se confundiu com o governo. Foi isso que aconteceu no stalinismo. O partido se confundiu com o governo. Então, nós temos que ter essa compreensão.
Por último, último mesmo, nós temos que examinar uma coisa. O mito Lula. Como é que o PT vai continuar, sobreviver, sem o mito. O mito tem um força integradora extraordinária, o mito tem uma força de coesão incrível. Mas, o nosso mito, a gente tem que compreendê-lo tanto na sua grandeza, quanto nas suas limitações. O Lula não é nenhum socialista. O Lula não sabe nem o diabo que é socialismo. E ele precisa dessa visão teórica e intelectual. E ele tem humildade suficiente para entender isso. Porque é um grande líder. Então, eu creio que esse mito precisa retornar ao PT para lhe dar a grande original, a grandeza do seu nascimento no Colégio Sion em 1980. O PT de hoje é um grande partido e ele pode ser um partido digno da sua estrela se ele voltar ao Colégio de Sion, muito obrigado.”
Enviado pelo editor do Blog da Dilma em Fortaleza, Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Junior - E-mail: cartaxoarrudajr@gmail.com

Atrocidades cometidas pela ditadura de Pinochet

Com o artigo “Para nunca más vivirlo, para nunca más negarlo”, eis o que escreveu no O POVO terça-feira passada sobre a criação da Comissão Nacional da Verdade, o professor Pedro Albuquerque, advogado, sociólogo.
Com essas palavras o presidente Lagos, do Chile, em discurso de novembro de 2004, assumiu a responsabilidade oficial quanto às atrocidades cometidas pela ditadura de Pinochet, reveladas oficialmente pela Comissão da Verdade e Reconciliação. Parte desse feito o Estado brasileiro realizou. O Projeto de Lei 7376/2010 de iniciativa do então presidente Lula e que cria a Comissão Nacional da Verdade (CNV) está em curso de apreciação pela CE da Câmara dos Deputados, devendo posteriormente ir à decisão do Plenário. Forçoso é reconhecer que faltaram interveniências políticas mais efetivas da Presidência da República, dos partidos, dos grupos organizados, da sociedade, do Legislativo para que um tema dessa envergadura se transformasse numa questão abraçada pela sociedade. No novo governo o tema integrou os discursos de posse da presidente e da ministra Maria do Rosário: foi pedido ao Congresso Nacional a aprovação do PL 7376/2010, o que significa por o Estado, autor das atrocidades, no centro da exposição da verdade.
Que parte nos cabe nesse caminhar? A assunção da finalidade da CNV insculpida no PL7376/2010: examinar e esclarecer as violações de direitos humanos da ditadura a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional. As narrativas das “vítimas”, ou seja, das famílias dos executados e desaparecidos, dos torturados e exilados, dos presos e exonerados, dos impedidos de
trabalhar e estudar devem ser o primeiro passo, para logo a seguir saber-se da narrativa do Estado e de suas providências. Sem a narrativa institucional teremos verdade incompleta e não haverá reconciliação.
Antes de tudo, porém, um pronunciamento público da presidente deve ensejar públicos pronunciamentos de comprometimento com a verdade do ministro da Defesa e dos comandantes militares. No Chile, o discurso do presidente afirmou que a prisão política e as torturas constituíram uma prática institucional do Estado que é absolutamente inaceitável.
Seguiu-lhe o comandante do exército, Gen. Juan Emilio Cheyre, ao anunciar o empenho institucional pela verdade, tendo enfatizado que as violações aos direitos humanos pelo Estado jamais e para ninguém podem ter justificação ética.
Por fim, um tema polêmico, o da punição. Quem pede punição para os combatentes da ditadura tergiversa. Esses já receberam atrozes e covardes punições. Quanto a punir os agentes do Estado, este é outro debate. Polêmico, pleno de incertezas e divergências. Será permeado, por certo, pelo embate entre as variadas correntes criminológicas.
Mas, punir não pode ser o fim. O que agora se impõe é a instalação da Comissão Nacional da Verdade para que a emergência da verdade se imponha como fim, pois esta não emergirá sob ameaças e a clarividência dela necessita. Pedro Albuquerque – Advogado, sociólogo e professor da Universidade de Fortaleza
dealbuquerqueneto.pedro@gmail.com
agora o que escreve nosso editor em:
Síndrome de Estocolmo
Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Junior
Memorialista. Editor do blog da Dilma em Fortaleza Ce cartaxoarrudajr@gmail.com
Conclamo os companheiros: Valton, Airton Monte, Barbosinha e outros voluntários da pátria e peço até ajuda aos universitários para socorrer nosso camarada Pedro Albuquerque acometido de ataque da síndrome de Estocolmo. Olha a perola no O Povo 18/01/2010:“ Antes de tudo, porém, um pronunciamento público da presidente deve ensejar públicos pronunciamentos de comprometimento com a verdade do ministro da Defesa e dos comandantes militares.” Acuma? A verdade do ministro é fraude na constituição, é réu confesso. Depois que o Dr. Ulisses morreu botou a culpa nele. A pouco promoveu abaixo assinado entre ministros estrelados de todas as matizes para suprimir da Comissão da Verdade da lei a punição aos torturadores!
Querem anistia não só para os desaparecidos. E sim aos que fizeram desaparecer! Querem a permanência da impunidade e do anonimato. Autoanistia que o ministro da defesa insiste em fazer valer. Anistia a torturadores disso o Pedro não fala direito. Diz que é polemico. Tortura é crime hediondo e ponto final. Prefere falar da anistia chilena e nem agora da argentina que conseguiu enfim trancafiar o monstro do Vilela. Oh Pedro não é prioridade falar do Chile ou da Argentina. E sim a Condenação do Brasil pela Corte de San Jose! Isso sim que é importante e fundamental, atual... Mas não.
Como o Ministro Nelson Jobim disse que a corte da OEA não adiantavam de nada para o Brasil. O nosso camarada Pedro se omite. Vão dizer que é patrulha minha. Não é, ele teve o ataque da síndrome de Estocolmo mesmo é quando diz :” Mas, punir não pode ser o fim”. Como não pode? Pode e deve se for esse o objetivo não o, mas um fim. A corte de San José disse que se tem que castigar os torturadores. O que se quer é que a justiça seja feita. Eles tem que ter no mínimo sua face revelada, seu nome exposto.
Não é um desaparecido. Ele é desconhecido o não encontrado, porque ainda nem começou a ser procurado para prestar esclarecimentos. O Ministro da Defesa Nelson Jobim diz que a decisão da Corte de San José e nada é a mesma coisa. E por isso o amigo Pedro não escreve nada sobre San Jose. É isso a verdade que se deve seguir? Olha ai a síndrome de novo. A OEA é respeitadíssima o Brasil esta passando enorme vergonha diante do mundo. Se Lula tivesse começado a punir os torturadores poderia ter ganho o premio Nobel da paz, que por isso vai terminar ficando pra Dilma.
E a verdade Pedro do ministro dos militares é o gel Elito; não se envergonhar nem se vangloria dos desaparecidos da tortura.. E faz coro o ministro da defesa: nem retaliação nem exaltação... Ninguém quer nada disso. O que se quer é justiça. Não é revanche, vingança, troco, a volta do chicote de aroeira no lombo de quem mandou dar. Não é nada disso.
Podem ficar certo que a maior responsabilidade pela impunidade da tortura no Brasil vem dessa impunidade aos ditadores. Os torturadores debocham:” se soube-se que a Dilma seria presidente do Brasil teria feito um bilhete:” não se esqueça eu era o bonzinho.”

Quem somos nós

Quem somos nós
Um casal a beira de um ataque de nervos